Carolina xingou baixinho, chamando‑o de louco, empurrou‑o com força, abriu a porta e saiu do banheiro a passos largos.
Nicolas levou a mão ao lado do rosto onde levara o tapa e deixou o canto dos lábios subir em um sorriso torto.
Ele se virou e gritou para ela:
— Espera por mim!
…
O vestido que Carolina usava naquela noite não favorecia em nada. Ela não conseguia andar rápido, então Nicolas alcançou‑a em poucos segundos.
A barra do vestido de Carolina enroscava o tempo todo no salto alto. Ela quase tropeçou várias vezes, o que fez a veia da testa de Nicolas pulsar de nervoso.
Ele deu alguns passos mais rápidos, correu até ela e se abaixou para segurar a barra do vestido.
Carolina interrompeu o passo e virou o rosto para fuzilá-lo com o olhar:
— Nicolas, eu falei para você ficar longe de mim! Você não entende o que é português, não?
Nicolas levou o esporro calado, mas, diferente de outras vezes, ele não rebateu. Naquele momento, ele estava com um sorriso descarado, sem a menor vergonha:
— Eu tô só segurando o seu vestido. Se eu não segurar e você cair na frente de todo mundo, vai ser um vexame. Imagina a presidente do Grupo Albuquerque caindo no meio do evento? Vai parar em todas as manchetes.
— O que acontecer comigo não é da sua conta!
Carolina esticou a mão para puxar de volta a barra do vestido das mãos dele, mas, nesse exato instante, um burburinho mais alto estourou adiante.
— Então é você, sua vagabunda, que está seduzindo o meu marido!
Junto com o berro da mulher, ecoou um estalo de tapa, seco e alto.
Aquela confusão chamou a atenção de todo mundo ali em questão de segundos.
Carolina, sem querer, também olhou na direção do tumulto. Uma mulher de corpo um pouco mais cheio estava agarrando o cabelo de outra mulher e desferia tapas no rosto dela, um de cada lado, enquanto xingava sem parar.
Carolina não conhecia a mulher que apanhava, mas alguém ali reconheceu.
Algumas pessoas explicaram em voz baixa que ela era a “secretária particular” que um certo empresário mantinha por perto. A tal secretária estava grávida e, apoiada na criança que carregava, tinha convencido o homem a transferir dez por cento das ações da empresa para o nome dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dr. Lucas, Sua Esposa Disse Que Não te Quer Mais
Escritor vc nunca teve filhos? Que maldade é essa com essa criança? Rejeitada por todos, só tem 5 anos. Amolece o coração desses seus personagens pq é impossível existir pessoas tão escritas assim. Afinal....
Que adultos, TODOS, miseráveis...a criança é criança, e estes adultos são lixos desde a mãe postiça , pai, vós família etc... Horrível...