— O que você disse?
A assistente encolheu o pescoço de medo e balançou a cabeça rapidamente.
— N-nada, eu não disse nada.
— Cena quarenta e sete, todos aos seus lugares!
Ao ouvir o grito do diretor, Esperança entregou o copo de água e resmungou com raiva:
— Não quero uma traíra do meu lado. Se você quer puxar o saco da Marília, então suma da minha frente agora!
A assistente, com os olhos vermelhos, murmurou com um soluço contido:
— Desculpa, Esperança. Eu não vou falar besteira de novo.
A quadragésima sétima cena era entre Juliana e Esperança. O diretor precisou interromper três vezes, todas porque Juliana não conseguia acompanhar o ritmo de Esperança, falhava em transmitir a força contida e a intensidade que a protagonista exigia.
Esperança observava o diretor furioso e estava de ótimo humor. Até lançou um olhar triunfante na direção de Marília, querendo que ela visse com os próprios olhos que seu sucesso não vinha de favores, e sim de talento.
Marília cruzou o olhar com ela, mas sua expressão permaneceu neutra.
Nesse momento, alguém se aproximou do diretor e disse algo. Ele assentiu e falou pelo megafone:
— Pausa para o almoço. Voltamos às duas da tarde.
— Hoje, tão cedo assim?
Marília conferiu o horário no celular, onze e vinte da manhã. Ainda nem tinha dado meio-dia.
Realmente, o horário era cedo para comer.
A produção da novela tinha orçamento limitado, e o diretor costumava estender o expediente até depois das doze e meia.
Almoçar antes do horário era algo inédito para a equipe.
Todo mundo foi buscar suas marmitas.
Na fila, Juliana apareceu com duas marmitas nas mãos e entregou uma para Marília. O almoço daquele dia estava especialmente caprichado, e a embalagem tinha o logotipo do Nami, um restaurante japonês sofisticado e famoso em Serenópolis.
— Você está bem?
Os olhos de Juliana ainda estavam vermelhos, mas ela deu um sorriso leve:
Marília balançou a cabeça para negar, mas uma imagem surgiu de repente em sua mente, a imagem de um homem.
— Com tanta gente na equipe, e você ainda por cima bancando o almoço... Se algum dia a Srta. Marília estiver indisposta ou precisar se ausentar, é só me ligar diretamente!
O diretor e o produtor saíram sorrindo, enquanto Juliana olhava para Marília com um olhar curioso e piscou:
— Mimi, será que foi seu namorado quem mandou isso aqui?
Marília encarou a marmita de sushi. Já sabia que só podia ter sido o Leandro.
Só Leandro podia ser o responsável.
Na mesma hora, seu humor azedou.
E aquele sushi, que antes parecia tão saboroso, agora não tinha mais gosto algum para Marília.
A história de que Marília havia bancado o almoço se espalhou rápido pelo set.
Esperança já tinha comido mais da metade quando ouviu os comentários ao redor. O estômago embrulhou, como se tivesse engolido uma mosca. Olhou para os dois pedaços de sushi restantes na caixa, fez uma careta de nojo e empurrou tudo, com embalagem e talheres, para a assistente:
— Joga isso fora para mim!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago
Tantos dias sem atualizações, como q da sequência em livros assim ? Cê tá Loko ....