Era de madrugada.
Violeta analisava os relatórios financeiros da empresa. Ao constatar que, nos últimos três meses, os prejuízos haviam sido consideráveis e que diversos projetos tinham sido assumidos pelo Grupo Santos, sentiu crescer dentro de si um descontentamento ainda maior em relação ao filho.
— Por que a senhora postou aquelas fotos no Facebook?
Raulino voltou para a mansão com o rosto sombrio.
Violeta ergueu os olhos. Ao encarar o rosto do filho, por um instante lembrou-se do pai dele, um pintor elegante, de traços refinados e postura altiva, sempre arrogante diante dela. Quando descobriu que ela não pretendia patrocinar sua exposição, ele também apareceu daquela forma, furioso, exigindo explicações, perguntando por que havia sido enganado.
Com calma, Violeta fechou o livro de contas que tinha nas mãos, levou a xícara de café aos lábios e tomou um gole antes de dizer, em tom indiferente:
— Você pretende se tornar inimigo da família Santos e da família Pereira?
— E se eu quiser?
Raulino soltou uma risada fria. Sentou-se no sofá, relaxou o corpo, abriu as pernas e acendeu um cigarro, com expressão carregada.
A leveza despreocupada em sua voz irritou Violeta.
— Por causa de uma mulher, você quer brincar com o Grupo Almeida? Eu não vou permitir que você faça isso!
Raulino levou o cigarro à boca, jogou o isqueiro de lado e respondeu:
— Agora quem manda na empresa sou eu. As decisões são minhas. A senhora já tem idade para descansar e aproveitar a vida, então pare de se intrometer nos meus assuntos.
Violeta pousou a xícara com força sobre a mesa e riu, tomada pela irritação:
— A empresa está sob o seu comando, mas foi eu quem lhe deu esse poder. E não se esqueça: você não é meu único filho.
Raulino ainda tinha um irmão mais novo.
Mas ele desprezava Rômulo. Com um sorriso de escárnio, retrucou:
— Ele pode me substituir?
Embora Violeta ainda detivesse as ações da empresa, nos últimos anos Raulino, sob o pretexto de desenvolver o grupo, já havia reduzido a influência dela. Sob sua gestão, o Grupo Almeida prosperava muito mais do que na época em que Violeta o comandava.
Foi por isso que ela passou a atuar nos bastidores.
Ela desbloqueou o celular e o lançou em sua direção.
Raulino pegou o aparelho, deu uma rápida olhada, sem demonstrar qualquer nervosismo. Ao terminar, soltou uma leve risada:
— Comparado às coisas sujas que a senhora já fez, isso não é nada.
O rosto de Violeta se fechou.
Sem pressa, Raulino tirou outro celular do bolso, abriu alguns vídeos e os deslizou sobre a mesa na direção dela.
— Dê uma olhada nisso.
Violeta mal terminou de assistir quando explodiu:
— De onde você tirou isso?
Raulino observava, com evidente satisfação, a mudança repentina na expressão da mãe. Soltou uma nuvem de fumaça e, com um sorriso irônico, disse:
— O garoto nesses vídeos é ainda mais novo que o Rômulo. Como a senhora conseguiu fazer isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago
Não vai mais ser atualizado??...
Oi como fica tantos dias sem atualização 😞😞😞😕😕...
Tantos dias sem atualizações, como q da sequência em livros assim ? Cê tá Loko ....