Sebastião Guimarães abaixou levemente os olhos. Ele encarou o pequeno frasco de porcelana na palma da mão e o abriu com um movimento ágil dos dedos longos.
Assim que a rolha foi removida, um aroma herbal fresco e penetrante tomou conta do ar instantaneamente.
— Que cheiro bom! — Benício Soares farejou o ar, curioso.
Sebastião despejou uma pílula na mão. Tinha o tamanho de uma pequena cereja, com uma cor âmbar suave e superfície lisa, exalando uma fragrância inebriante.
Benício esticou o pescoço, fixando os olhos na pílula.
— Tem um desenho entalhado aí... Que símbolo é esse? Parece a palavra... "Coração"?
Quando finalmente reconheceu a marca na pílula, os olhos de Benício se arregalaram. Sua voz até falhou.
— Puta merda!
Sebastião franziu a testa. Imediatamente, ele olhou para Vânia Guimarães na cama do hospital. Vendo que a garota continuava de olhos fechados, com a respiração calma, ele lançou um olhar gélido para Benício.
Benício encolheu os ombros e abaixou a voz, obediente. Mas sua expressão exagerada ainda denunciava o choque absoluto.
— Essa... Essa é a Pílula do Coração! A mesma que vendem no mercado negro por quinhentos mil cada uma!
Ele levantou um dedo trêmulo, apontando para o frasco no ar.
— O pior de tudo é que nem quem tem dinheiro consegue comprar! E ela... ela simplesmente te deu um frasco inteiro como se não fosse nada?!
Os lábios de Sebastião se curvaram, aprofundando o sorriso.
— É, como se não fosse nada.
— E você ainda sorri! — Benício estava tão agitado que mal conseguia formular as frases. — Quinhentos mil por pílula! Ela acabou de dizer para dar uma por dia para a Vânia. Trinta pílulas para um mês! Trinta pílulas dão quinze milhões! Quinze milhões! Ela te deu quinze milhões assim, de graça?! Isso é o quê, um dote de casamento? Que ostentação do caramba!
Talvez alguma palavra ali tenha agradado Sebastião. Um sorriso solto e fascinante surgiu em seu rosto, que normalmente era frio e intocável como o de uma divindade.
Isso deixou suas feições, já naturalmente astutas e sedutoras como as de uma raposa, ainda mais perigosas e arrebatadoras.


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