Mas não demorou muito para Vanessa se arrepender amargamente de ter ficado.
Os pratos luxuosos do Palácio do Luar começaram a ser servidos. Obviamente, a comida preparada pelas mãos de Cecília foi colocada no centro da mesa, na posição de maior destaque.
Faltava pouco para Francisco colocar uma plaquinha luminosa ao lado dos pratos, só para esfregar na cara de todo mundo o talento culinário da sua netinha preciosa!
O clima foi ficando mais descontraído.
Vanessa respirou fundo, engolindo a seco o próprio veneno. Seus olhos varriam a mesa, caçando qualquer brecha para se mostrar e tentar forçar alguma intimidade com Sebastião.
— Sebastião... quer dizer, Sr. Guimarães. — Vanessa descascou um pedaço de caranguejo com as próprias mãos e tentou colocá-lo no prato do homem. — Esse caranguejo marinado é a especialidade do Palácio do Luar. É uma delícia. Eu descasquei para você, experimente.
A carne de caranguejo nem chegou a encostar na porcelana.
O homem usou os próprios hashis para empurrar o prato para o lado.
A carne caiu no vazio.
Ele sequer levantou os olhos. A voz saiu monocórdica:
— Obrigado. Não precisa.
Distante. E educado até demais.
Mas o pior veio logo em seguida. Ele soltou os hashis.
Com aquelas mãos longas e esbeltas, dignas de uma obra de arte, ele pegou um camarão e começou a descascá-lo com a maior naturalidade do mundo.
Seus movimentos eram elegantes e ágeis.
Depois de encher uma pequena tigela com camarões limpinhos, ele a empurrou para a frente de Cecília.
— Prova. Está bem fresco.
Como se não bastasse, ele ainda colocou um potinho com um molho especial bem ao lado da tigela.
Seu olhar, em nenhum momento, desviou de Cecília.
A mão de Vanessa continuava congelada no ar, junto com seu sorriso, que agora não passava de uma careta dura.

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