Vânia Guimarães soltou uma risada repentina ao ver a expressão de Fernando Castro.
O rosto pequeno, antes vermelho de fúria, foi perdendo a tensão. O olhar que ela direcionava a ele agora era de pura frieza.
— Você não sabia? — ela zombou.
— Você nunca me contou, como eu ia saber? Vânia, não foi de propósito... Eu tinha bebido demais naquele dia, nem lembro do que aconteceu. Você não me ligou no dia seguinte para avisar. Se tivesse me falado...
— Não importa mais. — Vânia o interrompeu, encarando aquele rosto ansioso.
Antes, ela achava que ele era o homem mais lindo do mundo.
Agora, não passava de um cara qualquer.
Ela sabia que Cecília tinha lhe dado aquela oportunidade para encerrar seu passado de uma vez por todas.
Vânia riu de novo, com um sarcasmo cortante.
Seu olhar recaiu sobre a figura apavorada de Isabela Passos, e a risada ficou ainda mais alta.
Quanto mais ria, mais a obsessão de anos por Fernando se dissolvia.
Até não sobrar absolutamente nada.
Depois de um longo tempo, ela parou de rir e o encarou fixamente.
— Vâ... Vânia...
O coração de Fernando deu um salto ao ver aquele olhar. Ele prendeu a respiração, cauteloso.
Queria se justificar.
Mas foi interrompido pela voz fria de Vânia:
— Fernando Castro, você finge muito bem.
— Aquele acidente de carro... não foi você quem causou?
Fernando arregalou os olhos, negando na mesma hora:
— Eu não...
— Naquele dia, você me ligou pedindo para te buscar. No meio do caminho, você ligou de novo. — Vânia deu uma risadinha seca. — No telefone, você estava se gabando para os seus amigos. Contando vantagem sobre como me tratava feito um cachorro, brincando comigo como se eu fosse um fantoche.
O rosto de Fernando perdeu a cor.
— E-eu não fiz isso...
Ele não era idiota.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Não Implora. Ela Enterra.