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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 323

A aura assassina nos olhos do homem diminuiu um pouco, mas seu rosto continuava duro feito pedra.

Ele virou o olhar para Dona Souza: — Então, onde foi que eu errei?

A garota sempre foi fria e distante com todo mundo no dia a dia.

Mas nunca, jamais, tinha tratado ele com aquela indiferença absoluta.

— Patrão, do meu ponto de vista... A Srta. Rodrigues é daquelas que demoram a se abrir. Veja só o senhor: dá roupas de grife, cozinha para ela, manda quebrar a parede do quarto para ficarem juntos... Tudo isso com a postura de quem quer morar com ela para sempre. Isso acabou assustando a coitada. — Dona Souza analisou a situação com a sabedoria de uma mulher experiente. — As garotas às vezes são sensíveis demais. Essas suas atitudes podem ter colocado muita pressão nela. O senhor precisa ter mais tato.

Tio Passos lembrou do que tinha visto ontem na sala de controle e concordou com a cabeça vigorosamente: — Isso! Exatamente! Patrão, pense bem no que o senhor fez com a Srta. Rodrigues na sala de controle ontem à noite! Vocês dois... não saíram no soco mesmo, né?

Sebastião Guimarães: "..."

Dona Souza revirou os olhos para Tio Passos, empurrou-o para o lado e mandou ele calar a boca.

— Patrão, o senhor tem que agarrar as oportunidades. Mulher gosta de ser mimada. Se ela fugir de vez, com a personalidade difícil que a Srta. Rodrigues tem, o senhor nunca mais vai conseguir trazê-la de volta. — Dona Souza suspirou.

O homem implacável no mundo dos negócios, aquele que mantinha absolutamente tudo sob seu controle, assumiu pela primeira vez a postura de um aluno humilde em busca de conhecimento.

— E como eu mimo ela?

Dona Souza começou a dar sua aula magna: — Patrão, já que a Srta. Rodrigues é fria como gelo, o senhor tem que ser o fogo! Seja apaixonado, não tenha vergonha na cara, seja insistente, corra atrás o tempo todo, e então...

-

— O que foi, veterano? Não gostou? Pode pedir o que quiser, o cardápio é todo seu. — Vanessa exibia um sorriso perfeito, seus olhos brilhando com uma simpatia calculada enquanto o encarava.

Esse homem era Israel, o braço direito e assistente principal do professor Erick Serra.

Ele ajeitou os óculos, balançando a cabeça apressadamente: — N-não, que isso. Eu adorei. Você é muito gentil, caloura Vanessa.

— Ah, veterano, não precisa dessas formalidades comigo. — Ela deu uma risadinha suave. — Quando a minha tese for aprovada pelo professor Erick Serra, serei uma aluna oficial dele. Quem sabe no futuro não estaremos trabalhando juntos no laboratório?

O rosto de Israel corou um pouco, e ele voltou a empurrar os óculos: — Você é muito talentosa, Vanessa. O professor Erick Serra com certeza vai aprovar. E se precisar de alguma ajuda com a tese, pode contar comigo.

Os olhos de Vanessa brilhharam ainda mais. Ela curvou os lábios num sorriso encantador: — Então eu já agradeço desde já, veterano!

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