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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 349

Enquanto isso, as pupilas de Vanessa tremeram violentamente, e ela olhou com os olhos arregalados para o irmão mais velho.

O que seu irmão mais velho queria dizer era que...

Ele queria que Dona Joana se desculpasse com Cecília?!

Dona Joana era a babá que cuidava dela desde criança.

Na família Rodrigues, ela representava a própria Vanessa!

Fazer Dona Joana pedir desculpas à Cecília não era o mesmo que forçá-la a abaixar a cabeça para Cecília?

Isso não era o mesmo que colocar seu próprio rosto na frente de Cecília para que ela a esbofeteasse com vontade?

Ela tinha apenas tocado na caixa de presente que o Sebastião deu a Cecília, havia necessidade de transformar isso em uma ofensa tão grande?

— O que foi? — Henrique notou a expressão de Dona Joana e cerrou ligeiramente os olhos por trás das lentes, que refletiram um brilho frio e afiado. — Você sequer sabe pedir desculpas à pessoa certa. Já que a sua visão está tão embaçada pela idade a esse ponto, Dona Joana, então faça suas malas e vá embora.

O rosto de Dona Joana ficou extremamente pálido.

O rosto de Vanessa estava ainda pior.

Aquelas palavras do irmão mais velho, palavra por palavra, pareciam ter se transformado em tapas reais, atingindo brutalmente o seu rosto com uma enorme sensação de humilhação.

Ela sentiu que o irmão mais velho estava usando Dona Joana como uma desculpa para avisá-la e fazê-la entender que, naquela casa, ela deveria abaixar a cabeça para Cecília.

Todos sempre falavam da boca para fora que tratariam ambas com igualdade e que seriam justos.

Mas todos estavam favorecendo a Cecília!

Todos eles eram uns mentirosos!

A expressão no rosto de Vanessa era digna de pena, com os olhos rasos d'água, mas, na realidade, seus dedos tremiam de tanta raiva.

Ela se levantou apertando a saia, querendo defender Dona Joana: — Irmão mais velho, não fique bravo com a Dona Joana. É-É porque a mamãe sempre me amou muito e cuida de tudo para mim em todos os detalhes.

Ela mordeu o lábio e sua voz abafada tornou-se ainda mais chorosa: — Por isso... por isso a Dona Joana se confundiu e achou que era uma surpresa que a mamãe tinha preparado para mim, não houve maldade...

No entanto, mesmo com Vanessa sentindo que já tinha perdido completamente a sua dignidade, Dona Joana continuava ali se curvando e pedindo perdão tão humilhada quanto poeira.

Henrique não esboçou nenhuma reação.

Ele apenas ergueu levemente as sobrancelhas e fixou os seus olhos gentis em Cecília, totalmente à espera da decisão dela.

Ao ver aquilo, Vanessa ficou com tanta raiva que sentiu vontade de vomitar sangue. Seus olhos até ficaram vermelhos.

Até que ponto eles queriam que Cecília a humilhasse?

Vanessa cravou os dedos ainda com mais força, respirou fundo e olhou para Cecília com os olhos vermelhos, implorando de forma lamentável: — Irmã, a Dona Joana realmente não fez de propósito. S-Sou eu que não devia ter criado ilusões bobas. Por favor, perdoe a Dona Joana, me perdoe... eu, eu também peço desculpas para você...

Enquanto falava, ela se levantou apressada, tentando se curvar para Cecília para pedir desculpas.

Mas ela se levantou rápido demais e seu corpo esbarrou e derrubou a cadeira, o que lhe causou uma dor que a deixou com o rostinho pálido, engasgada de ar frio, sendo extremamente digna de pena.

No entanto, ela esfregou o braço machucado num papelzinho de vítima indefesa. E mesmo parecendo que pedia pena, isso não lhe trouxe nenhuma compaixão esperada... da família.

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