No segundo andar do Salão Imperial.
Benício Soares estava debruçado no corrimão esculpido de forma preguiçosa, apoiando o queixo na mão enquanto olhava para baixo.
— Hmm. Já que esbarramos na salvadora da Vânia, será que a gente não devia descer e agradecer pessoalmente?
A luz no corredor do segundo andar era suave e difusa, projetando a sombra longa e imponente do homem que estava encostado ao lado de Benício.
O homem usava uma camisa preta de alfaiataria impecável. Seus traços eram esculpidos e perfeitos, com um ar indiferente. Ele mantinha os olhos escuros como obsidiana semicerrados, exalando uma preguiça elegante.
— A gatinha é perigosa, hein? Não leva desaforo para casa. Além de ser uma médica genial, sabe bater... e bate bonito. — Benício ergueu a taça, virando a bebida de uma vez. Ele lambeu os lábios. — Deu até vontade de bancar o cafajeste.
O olhar de Sebastião Guimarães repousou sobre a silhueta esbelta e alta da garota, parando, finalmente, nas pernas longas e retas dela.
Agorinha mesmo, quando ela levantou a perna para chutar aquele cara.
Longas. Finas. Lindas.
Tinham a aparência de pernas perfeitas para se agarrar.
Os olhos de Sebastião escureceram um tom, e seus lábios finos se curvaram num sorriso leve, carregado de um charme perigoso:
— É, ela é bem impressionante.
Benício travou no meio do movimento, virando a cabeça com os olhos arregalados.
Essa era a primeira vez na vida que seu amigo Sebastião abria a boca para elogiar uma garota!
Ele tinha vivido para ver isso!
No mesmo instante, ele descartou a ideia de ser um cafajeste com ela.
Tá brincando?!
Aquela era a mulher que Sebastião havia elogiado. Ela havia se tornado intocável para um mero mortal como ele!
Setor Celestial.
O mordomo abriu a porta do camarote.
— A Cecília chegou!


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