A voz de Isaque Pereira ecoou.
O camarote ficou imerso num silêncio absoluto por alguns segundos.
Só então todos notaram que, ao lado de Cecília, havia um jovem de presença extravagante, usando roupas num tom verde-neon ofuscante. Porém, o rosto extremamente bonito dele conseguia dominar até mesmo aquelas cores berrantes.
Ao reconhecerem aquele rosto, o choque foi imediato:
— Pe... Sr. Isaque Pereira!
Em todo o círculo da alta sociedade, o único que gostava de se vestir de forma tão... excêntrica e chamativa era o demônio encarnado da família Pereira.
Era uma marca registrada indiscutível.
"Um lixo..."
Cesar Gomes já estava com uma expressão sombria por causa daquela palavra.
E ao ver Cecília e Isaque Pereira juntos, o ódio inexplicável em seu peito voltou a queimar ferozmente.
A pressão no peito era tanta que ele quase perdeu a razão, abrindo a boca e disparando insultos sem pensar:
— Cecília, você não tem amor-próprio? Assim que me deixou, já foi correndo se jogar em cima do Sr. Isaque Pereira? Acha que, por estar com ele, pode vir aqui e se achar na minha frente? Quanto tempo acha que ele vai te aturar? Ele só tá de brincadeira, te usando por diversão...
— Ohoho... Olha a marra do Sr. Cesar Gomes! — Isaque Pereira enfiou as mãos nos bolsos e se colocou na frente de Cecília. Tinha um jeito desleixado, mas o olhar era afiado como navalha. — O que você quer dizer com se jogar? A Cecília é a minha chefe. Eu, Isaque Pereira, lamberia o chão em que ela pisa com o maior prazer. Quem diabos é você pra falar com a minha Cecília desse jeito? Late mais uma vez pra ver se eu não te tiro desse Clube Central num saco de cadáver!
Isaque apertou os olhos. Qualquer um que o conhecesse saberia que ele estava furioso.
Só de pensar que, nos últimos quatro anos, a vida de Cecília ao lado de Cesar Gomes tinha sido isso, ele sentia vontade de massacrar todos os vermes naquele camarote que ousaram rebaixá-la!
Cesar franziu a testa, momentaneamente acuado pela aura intimidadora de Isaque.
Porém, logo em seguida, seu orgulho ferido falou mais alto. Com uma expressão carregada, ele olhou para Cecília:

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