O professor Erick Serra não disse mais nada. Apenas acenou para que os guardas do Ministério da Defesa o arrastassem dali.
Antes, Pietro só seria demitido.
Agora, a situação era outra.
Atacar um professor idoso e considerado um tesouro nacional do instituto? Ele iria ver o sol nascer quadrado.
— Engenheira Cecília, peço perdão. Não imaginei que você teria que passar por uma situação dessas logo hoje. — O professor estava genuinamente envergonhado.
Cecília só aparecia ali quando ocorria algo da magnitude de hoje. Situações que o próprio instituto não conseguia resolver.
Era raro ela fazer uma visita, e logo acontecia um barraco desses.
— Contanto que o senhor não tenha se machucado, está tudo bem. — Ela não pareceu se importar muito.
O professor Erick Serra deu uma risadinha.
— Se não fosse você me puxando... Mas escute, já está tão tarde. Que tal passar a noite no dormitório do instituto? Aquele seu quarto continua sendo limpo rigorosamente, a pedido meu.
Fazia anos que ele tentava convencê-la a assumir o cargo de diretora em tempo integral.
Cecília checou a hora no relógio e balançou a cabeça.
— Preciso ir para casa. Amanhã cedo, tenho que aplicar a acupuntura no meu avô.
Para aliviar a dor do tratamento, ela havia preparado dois dias de banhos medicinais para o velho, focados em relaxar a musculatura das pernas.
Amanhã era o dia de aplicar as agulhas.
Além disso...
Se ela não voltasse, sabia que a família passaria a noite em claro, esperando por ela.
— Que bom, que bom. Agora a Cecília tem uma família que cuida dela. — A expressão do professor Erick Serra se suavizou, tornando-se afetuosa. Ele já não usava o formal "engenheira Cecília".
Ele suspirou de leve.


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