Às onze da manhã, Eduardo terminou uma reunião e acabava de sair da sala de conferências quando Benjamin se aproximou e falou em voz baixa:
— A Sra. Daniela está aqui.
Eduardo parou no mesmo instante.
— Onde ela está?
— No seu escritório.
As sobrancelhas escuras de Eduardo se ergueram levemente.
Depois da discussão naquela noite, ele havia saído de casa e viajado ao exterior a trabalho.
Durante esse tempo, Daniela não ligou para ele uma única vez.
Sempre que brigavam, ela apenas telefonava para casa pedindo que ele voltasse.
Era a primeira vez que ela vinha procurar ele diretamente na empresa.
Eduardo hesitou por um momento e perguntou em voz baixa:
— Como ela parece?
Benjamin pensou na aparência de Daniela naquele dia:
— Parece bem.
Ela havia mudado o penteado, estava maquiada... e parecia muito bonita.
Ao ouvir isso, a expressão de Eduardo relaxou ligeiramente.
Parecia que Daniela finalmente havia pensado melhor.
Ela devia ter vindo fazer as pazes.
Daniela o amava tanto.
Na época, chegou até a contrariar a vontade dos pais para escolher justamente ele, o homem em quem ninguém acreditava.
Então era claro que ela não queria se divorciar.
Pensando nisso, um leve sorriso surgiu nos lábios de Eduardo.
— Entendi.
Sua voz continuava grave e indiferente, como sempre.
— Peça para alguém ir à confeitaria do outro lado da rua comprar um bolo de doce de leite que a Daniela gosta.
Benjamin assentiu:
— Certo.
......
A porta do escritório foi aberta.
Vestido em um terno impecável, Eduardo entrou.
Daniela estava sentada no sofá.
Ao ver ele, ela ficou de pé lentamente.
Seus olhos vermelhos estavam fixos nele.
Eduardo primeiro ficou surpreso com o novo corte de cabelo dela.
— Por que você cortou o cabelo?
Daniela ignorou completamente a pergunta.
Ela olhava para Eduardo enquanto as palavras que Agatha havia dito continuavam ecoando em sua mente...
As emoções reprimidas rasgavam sua frágil sanidade.
— Eu tenho algo para perguntar.
A voz saiu rouca.
Enquanto falava, seus olhos ficaram ainda mais vermelhos, e as lágrimas começaram a turvar sua visão.
Eduardo observou aquela expressão e seu rosto esfriou.
A condição de Daniela parecia ainda pior do que quando ele havia saído de casa após a discussão.
Então ela não tinha vindo fazer as pazes.
A pequena satisfação que ele sentira desapareceu, substituída por uma irritação crescente.
Ele franziu a testa e caminhou até a mesa.
Ele sentou, abriu um documento e começou a analisar, sem sequer levantar a cabeça.
— Se você tem algo a dizer, poderia ter ligado. Isto é uma empresa, não um lugar para você vir descarregar suas emoções.
Mas Daniela não se importou.
Ela caminhou lentamente em direção a ele.
Quando chegou à frente da mesa, parou.
Ao abaixar os olhos, grandes lágrimas caíram sobre a superfície da mesa.
A mão de Eduardo, que folheava o documento, parou.
Antes que ele pudesse reagir, ouviu a pergunta sufocada de Daniela acima de sua cabeça:
— Onde estão os meus filhos?
Eduardo levantou a cabeça abruptamente.
Ao ver os olhos de Daniela encharcados de lágrimas, sua expressão escureceu.
— Que loucura é essa agora?
Daniela apoiou as duas mãos na mesa e encarou ele com intensidade.
De repente, soltou uma risada fria.

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