A frase “merece que seus filhos tenham morrido” atravessou Daniela como uma lâmina afiada.
Algo dentro da cabeça dela pareceu se partir naquele instante.
Ela encarou Luana com um olhar frio, como se estivesse olhando para um cadáver.
— As pessoas sempre pagam pelo que dizem e fazem.
Luana se assustou com aquele olhar e deu um passo para trás.
Daniela avançou rapidamente.
Antes que Luana tivesse tempo de reagir, ela agarrou seus cabelos com força.
Luana soltou um grito de dor.
O pescoço foi puxado para trás em um ângulo estranho, e lágrimas brotaram imediatamente de seus olhos.
— Aaaah! Está doendo! A Daniela enlouqueceu! Mãe, me ajuda!
— Daniela, sua desgraçada! Solta minha filha!
Paula correu para frente e puxou com força os cabelos de Daniela por trás.
Daniela não esperava aquilo.
Antes que conseguisse se recompor, Luana levantou a perna e chutou com força em direção à barriga dela.
Os olhos dela se arregalaram.
Ela conseguiu se desviar a tempo, mas Paula a empurrou violentamente por trás.
Atacada pelos dois lados, ela perdeu o equilíbrio e caiu para a frente...
Direto contra um peito firme e quente.
Um par de mãos fortes a segurou com firmeza.
O cheiro familiar de zimbro.
Era Eduardo.
Daniela ergueu a cabeça, ainda atordoada, e levou a mão imediatamente à barriga.
Ela nem ousava imaginar o que teria acontecido se Eduardo não tivesse aparecido naquele momento.
Se tivesse caído no chão...
O bebê em seu ventre poderia ter se machucado.
Ela já havia perdido os gêmeos.
Com esse filho... nada podia acontecer.
A mente que antes estava dominada pela raiva começou a se acalmar aos poucos.
Ela tinha perdido o controle de novo...
Desde que havia parado os medicamentos para tentar engravidar, aquela era a primeira vez que tinha um surto emocional.
Uma sensação de confusão tomou conta dela.
Ela havia decidido ser uma mãe emocionalmente estável.
Então por que ainda perdia o controle assim?
Será que todo o esforço dos últimos meses tinha sido inútil?
Seu corpo começou a tremer involuntariamente.
Ela tinha medo de não conseguir controlar as emoções durante a gravidez...
Medo de não conseguir ser uma boa mãe.
Medo de acabar machucando o próprio filho.

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