Durante cinco anos, Mariana tinha sido quem acompanhou Glória.
Agora que ela tinha ido embora de repente, levou junto toda a sensação de segurança da menina.
Os sentimentos de uma criança eram os mais puros.
Quem acompanhava ela, quem tratava ela bem, era justamente a pessoa de quem ela passava a depender e sentir falta.
Daniela consolou ela com paciência:
— Você é muito obediente. Mariana vai voltar. Eu fico com você esperando ela voltar, está bem?
Glória fez um biquinho. Não disse nada, apenas continuou soluçando baixinho.
Daniela olhou a hora e sorriu.
— Diego e Ana já estão quase saindo da escola. Vamos descer e esperar por eles?
Ao ouvir que os companheiros de brincadeira estavam voltando, a saudade de Mariana pareceu diminuir um pouco.
Ela assentiu.
Daniela colocou Glória na cama, inclinou o corpo para calçar os sapatos da menina e, em seguida, segurou a mão dela.
— Vamos.
Glória acompanhou Daniela obedientemente até o andar de baixo.
Assim que chegaram, Nina voltou com Diego e Ana.
— Glória! Hoje teve concurso de desenho na escola, e eu fiquei em primeiro lugar!
Diego correu até ela, feliz, e entregou o pirulito que segurava.
— A professora me deu isso como prêmio. Eram dois no total. Um eu dei para Ana, e este é para você!
Glória olhou para o pirulito diante dela e piscou.
Ana se aproximou, lambendo o próprio pirulito.
— Glória, você não gosta de doce? É bem docinho e gostoso. Criança não pode comer doce demais, mas, de vez em quando, um pouquinho não tem problema.
Glória olhou para Ana lambendo o pirulito e engoliu em seco.
Parecia mesmo muito gostoso.
Daniela encorajou a menina:
— Se quiser, pode pegar. Depois é só dizer obrigada para o Diego.
Glória olhou para Daniela.
Depois, estendeu a mão, pegou o pirulito de Diego e disse baixinho:
— Obrigada.
Diego sorriu.
— De nada. Você é minha irmã, ué. Claro que eu tenho que dividir doce com você!
Segurando o pirulito, Glória deu um sorriso tímido para Diego.

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