Mariana correu até Daniela, com a testa franzida.
— Você não disse que Glória já tinha aceitado você? Por que ela voltou a ficar assim de repente?
— No dia em que fomos oficializar o divórcio, você ficou gritando do lado de fora do carro, e Glória viu você.
Daniela encarou Mariana.
— Se você não tivesse ido atrás da gente, ela não teria visto você. Glória está assim por sua culpa.
O rosto de Mariana perdeu a cor.
— Como isso pôde acontecer? Eu só queria ver ela...
— Durante esses cinco anos, você cuidou de Glória e protegeu minha filha. Sou muito grata por isso e sei que seu amor por ela é sincero. Mas, depois de tudo o que aconteceu entre você e Eduardo, não consigo mais confiar em você, muito menos confiar minha filha aos seus cuidados.
Os olhos de Mariana ficaram vermelhos na mesma hora.
— Eu juro que continuo amando Glória como sempre amei. Não posso mais ter filhos. Durante os cinco anos em que vivi em cativeiro, Glória foi a única que ficou ao meu lado. Faz muito tempo que considero ela a filha que perdi!
A voz de Mariana ficava mais desesperada a cada palavra.
Toda a serenidade e o distanciamento que costumava demonstrar tinham desaparecido.
Naquele momento, ela era apenas uma mãe desesperada para ter a filha de volta.
Já não conseguia raciocinar direito.
Quanto mais falava, mais acabava revelando coisas que não deveria, sem nem perceber.
— Daniela, eu sei que você não acredita em mim, mas você também é mãe. Não consegue entender o quanto eu amo Glória?
Daniela continuou irredutível.
— Eu sei que seu amor por Glória é sincero, mas não posso correr esse risco. Ninguém sabe como uma pessoa pode agir quando as circunstâncias mudam. Se não existisse nada entre você e Eduardo, eu acreditaria que você continuaria tratando Glória da mesma forma para sempre. Mas agora vocês estão juntos. Você não pode engravidar, mas a medicina avançou muito. E se um dia vocês mudarem de ideia e decidirem ter um filho por meio de uma barriga de aluguel? Quando tiverem um filho de vocês, você ainda vai amar a minha Glória como ama hoje?
Daniela fez questão de enfatizar a palavra “minha”.
Mariana balançou a cabeça depressa.
— Não! Isso nunca vai acontecer! Juro por Deus que não vou ter outro filho. Para mim, só existe Glória. Você já tem seu filho, e seu segundo bebê está quase nascendo. Por favor, deixa Glória comigo.
Sem alterar a expressão, Daniela respondeu:
— Eu jamais confiaria em uma mulher que roubou meu marido e agora também quer tirar minha filha de mim.
Mariana ergueu uma das mãos, com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu juro! Se eu não cuidar bem de Glória, que eu morra da pior maneira possível! Por favor, confia em mim, só desta vez!
Daniela apertou os lábios, mas não respondeu nem demonstrou qualquer intenção de ceder.
Mariana ficou ainda mais angustiada. Seus olhos estavam vermelhos de desespero.
Nesse momento, Glória, que dormia profundamente no quarto, começou a esfregar os olhos e despertou devagar.

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