Daniela saiu do quarto a passos largos.
Eduardo veio logo atrás e segurou o braço dela:
— Se acalma!
Furiosa, Daniela se virou e levantou a mão outra vez.
Mas o tapa não chegou a cair.
Eduardo segurou o braço dela com firmeza.
Em força, ela nunca foi páreo para ele.
Os dois se encararam, nenhum cedeu.
Os lábios de Daniela estavam pressionados. O peito subia e descia com a respiração acelerada.
Os olhos, vermelhos, carregavam ódio.
Talvez tenha sido aquele olhar tão cortante que fez surgir um incômodo estranho no peito de Eduardo.
Ele franziu a testa:
— Você pode se acalmar e me ouvir até o fim?
— Eu não consigo me acalmar! — Daniela gritou, com toda a força. — Enquanto eu estava sozinha, carregando a dor de perder meus bebês por cinco anos... você e a Agatha criavam esse menino! Como você quer que eu aceite isso?!
As lágrimas caíram.
Os lábios dela tremiam:
— Você pode não me amar. Mas não tem o direito de me humilhar! E muito menos de decidir por mim que tipo de mãe eu vou ser! Eu só vou criar filhos que eu mesma gerar! E, se um dia eu decidir adotar, vai ser uma escolha minha! Não algo que você empurra para mim com esse tipo de desculpa nojenta!
— O Diego é uma criança boa, gosta de você. Você não acha que está sendo cruel demais dizendo isso?
— Eu não devo nada a ele! — Daniela enxugou as lágrimas com força, a voz fria. — Se você sente pena dele, acha que ele é um bom menino e quer ser o pai dele, isso é problema seu! Porque, se eu fizer isso, em que eu vou ser diferente de você?
Eduardo ficou imóvel.
— Eduardo, no momento em que eu pedi o divórcio, deixei de esperar qualquer coisa de você. Mas eu nunca imaginei que você conseguiria superar tanto as minhas expectativas negativas...
Daniela olhou para ele. A voz era calma, mas completamente sem calor:
— Eu começo a achar que nunca te conheci de verdade. Você não é mais o Eduardo por quem eu me apaixonei... e eu também não vou te amar mais.
As palavras ecoaram pelo corredor silencioso.
Eram uma acusação.
E também uma sentença.
Ela o acusava de ter destruído tudo.

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