A chamada tocou duas vezes antes que alguém atendesse.
— Alô?
A voz de Baltazar saiu pelo celular.
Ao fundo, dava para ouvir vagamente as risadas de algumas crianças.
Com o tom autoritário de sempre, ele perguntou:
— Diga logo o que aconteceu. Ainda preciso colocar meus netos para dormir!
Ao reconhecerem a voz de Baltazar, Yasmin e Daniela trocaram um olhar.
O homem encarou as duas e falou em voz baixa:
— Sr. Baltazar, a Sra. Daniela não acredita que fui enviado pelo senhor para cuidar da segurança dela.
Baltazar respondeu com impaciência:
— Ligou só por causa disso? Passe o celular para minha filha!
O homem avançou alguns passos e entregou o aparelho a Daniela.
— Pai.
— Pode ficar tranquila. Eu mesmo escolhi esse homem. Ele é de confiança.
Daniela ergueu os olhos e voltou a examinar o sujeito.
— Ele está vestido de preto dos pés à cabeça. Parece até alguém envolvido com coisa ilegal.
Baltazar soltou um suspiro.
— Ele sofreu queimaduras durante uma missão e ficou com cicatrizes no rosto e no corpo. Fiquei com medo de que as cicatrizes assustassem você, então pedi para ele cobrir tudo.
Daniela franziu a testa.
Ainda sentia que havia alguma coisa estranha.
Antes que pudesse fazer mais perguntas, porém, o celular no bolso da calça começou a tocar.
Benjamin estava ligando novamente.
— Pai, surgiu uma emergência. Preciso desligar.
Daniela encerrou a chamada, devolveu o aparelho ao homem e atendeu o próprio celular.
— Benjamin, já cheguei ao hospital.
— Que bom que a senhora chegou. Vou avisar a Sra. Mariana agora mesmo...
A ligação terminou às pressas.
Daniela olhou para Yasmin.
— Vamos subir primeiro.
Yasmin assentiu, segurou Daniela pelo braço e caminhou com ela até os elevadores.
O homem seguiu logo atrás.
Quando chegaram diante do elevador, Daniela virou para ele.
— Não venha com a gente. Bryan pode ver você e começar a desconfiar.
— O Sr. Baltazar ordenou que eu cuide da sua segurança a qualquer custo.

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