— De nada! — Respondeu a atendente, animada.
Simão olhou para Daniela:
— A Ana adora esse lugar. Até criança que costuma dar trabalho para comer acaba comendo direitinho aqui.
Daniela observou o ambiente, cheio de elementos de conto de fadas. O coração se suavizou.
Ela sorriu, passou a mão na cabeça de Ana e disse, com os olhos brilhando:
— Nenhuma criança resiste a um mundo de fantasia, né?
Ana a encarava com aqueles olhos grandes, escuros como uvas.
Daniela viu refletida ali uma versão de si mesma, leve, feliz, sorrindo de verdade.
— Mamãe...
Ana estendeu os bracinhos, balançando eles:
— Mamãe... colo...
A forma como falou era tão fofa que Daniela nem teve coragem de corrigir.
Simão olhou para a filha, depois para Daniela, com um ar resignado:
— Tenho tentado corrigir isso, mas não sei por quê... ela insiste em te chamar assim.
Daniela sorriu:
— Não tem problema. A fala dela ainda está em desenvolvimento. O importante é que ela esteja tentando se comunicar. Quanto ao jeito de chamar, quando ela crescer um pouco, a gente explica melhor. Ela vai entender.
Simão limpou a garganta:
— Você não se incomoda? Fico com receio... as pessoas podem achar que eu e ela estamos tirando vantagem de você.
Daniela se surpreendeu por um instante, depois sorriu e provocou:
— Achei que advogados gostassem mesmo de tirar vantagem dos outros.
Simão ficou sem reação.
— Estou brincando. — Disse Daniela, ao perceber a expressão dele. — Eu gosto muito da Ana. Se você acha que isso pode causar algum mal-entendido, então vamos fazer assim: eu posso ser madrinha dela. O que acha?
— Você está falando sério?


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