Samuel levantou a mão e apertou as têmporas.
— Às vezes, você podia mentir um pouquinho.
Daniela olhou para ele e respondeu com sinceridade:
— Acho melhor falar a verdade. Eu realmente esqueci. Antes do terremoto, eu já passava os dias no Estado de Alvéria tão ocupada que mal conseguia pensar direito. Depois que aconteceu, tudo virou um caos. Um dos integrantes da equipe ficou ferido, o sinal caiu, e só conseguimos sair de lá tão rápido porque Eduardo foi buscar a gente.
Samuel encarou ela.
— Então você ficou mexida?
— De certa forma.
Samuel franziu a testa.
— Não vai me dizer que, só porque ele foi atrás de você no Estado de Alvéria, acabou se machucando e você ficou com pena, amoleceu e simplesmente perdoou tudo?
Daniela continuava tranquila.
— Eu fiquei preocupada e meu coração amoleceu um pouco, sim. Mas dizer que perdoei não é bem isso. Entre nós dois, essa questão de perdão já deixou de fazer sentido há muito tempo.
Samuel respirou fundo, tentando conter a irritação que começava a subir.
— Então quer dizer que eu vim até aqui à toa? Vocês voltaram e agora vão ficar todos juntos, morando em Cidade dos Ventos?
Daniela percebeu claramente a ironia no tom dele.
Mesmo assim, não explicou nada.
Apenas lançou um breve olhar para Samuel, engatou a marcha e pisou no acelerador.
O carro seguiu em direção ao centro da cidade.
Nenhum dos dois voltou a falar, e o silêncio dentro do veículo ficou pesado.
Daniela ligou o som.
Uma música suave começou a preencher o carro.
No fim, Samuel não conseguiu ficar calado e perguntou de novo:
— Você realmente decidiu ficar em Cidade dos Ventos?
No cruzamento à frente, o sinal ficou vermelho.
Daniela apertou os lábios e soltou um suspiro.
— Eu já disse que considero você meu amigo.
Samuel encarou ela, com uma insistência evidente nos olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...