Daniela não quis perder tempo. Foi direto ao ponto:
— Essa casa foi comprada antes do meu casamento. Não tem nada a ver com você. Hoje a Lívia não sabia da situação e deixou você entrar, mas só dessa vez. Espero que, da próxima, tenha o bom senso de não aparecer sem ser convidado. É desagradável.
Uma rejeição tão direta faria qualquer pessoa perder a calma.
Mas Eduardo manteve a expressão.
— Eu te liguei. Você não atendeu.
Daniela arqueou levemente a sobrancelha:
— Eu estava ocupada. Não vi.
Ele sabia que era desculpa, mas não discutiu.
Apenas disse, em tom baixo:
— As ações da empresa já foram transferidas para você. Já que ficou com elas, não devia mais dificultar as coisas para a Agatha.
— Você entendeu errado. Eu só disse que não ia responsabilizar a Agatha legalmente. Nunca disse que ia deixar isso para lá.
A voz de Daniela estava fria. O sarcasmo no olhar era evidente:
— Já que ela teve coragem de morder a mão que a ajudou, então aguente as consequências. Eu vou fazer com que ela volte exatamente para onde começou... sem nada.
O rosto de Eduardo endureceu.
— Você sabe como são os pais da Agatha. Você está tentando destruir ela. Desde quando ficou tão cruel?
— Ser cruel é melhor do que ser ingênua.
Daniela se levantou e o encarou:
— Fui eu que tirei a Agatha da pobreza. Fui eu que paguei os estudos dela, dei oportunidades, levei ela até o cargo de vice-presidente. E, quando eu mais precisei... ela foi para a sua cama. Ainda quis tomar a minha empresa!
— Eu já expliquei. O que existe entre mim e ela não é o que você pensa. E as ações... foi uma decisão minha. Ela precisava delas para administrar melhor a empresa.
— E você acha que isso vai me fazer esquecer?
Daniela soltou um riso frio:
— Eu sei que você protege ela. Mas ela me deve isso. Se me traiu, vai pagar o dobro.
— Daniela, já passou. A Agatha não tem mais nada. Você já conseguiu o que queria. Por que continuar com isso?
— Nunca passou.
Daniela o encarou:
— Por que vocês dois, que traíram, acham que podem seguir em frente como se nada tivesse acontecido? Quem foi humilhada fui eu. Eu não perdoei. Eu vou devolver para a Agatha tudo que ela fez... pouco a pouco.
— Se você insistir em perseguir a Agatha, não me culpe por proteger ela.
— E quando foi que você não protegeu?
Daniela riu, amarga.
Culpava a si mesma por ter se apaixonado por ele.
Respirou fundo e apontou para a porta:
— Vai embora. Só de olhar para você já me dá nojo.
Eduardo a encarou, os olhos escuros, pesados.



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