Ao ouvir o som de vômito vindo do banheiro, um leve brilho passou pelos olhos de Isabela.
Ela se levantou e foi até a porta, trancando-a.
O barulho cessou.
Isabela caminhou até a entrada do banheiro.
Depois de vomitar, Daniela se levantou, foi até a pia e abriu a torneira para enxaguar a boca.
Isabela ficou ali, observando.
Daniela terminou, apoiou as mãos na pia, respirou fundo e ergueu o rosto.
De repente, seus olhos encontraram os de Isabela pelo espelho.
Aquele olhar atento fez seu corpo gelar.
O rosto, já pálido, perdeu ainda mais cor.
As mãos apoiadas na pia se contraíram.
A mente ficou em branco.
“E agora? Será que ela percebeu?”
Isabela não disse nada, apenas entrou.
Daniela a observava pelo espelho, com a respiração presa.
Isabela lançou um olhar rápido para o abdômen ainda plano, depois a encarou diretamente:
— Você está grávida?
Daniela se virou de repente:
— Não!
— Não precisa mentir.
O tom de Isabela era firme:
— Eu já estive grávida. Isso é enjoo de gravidez.
As pupilas de Daniela se contraíram.
“Isabela já esteve grávida?”
Por um instante, ela não soube o que dizer.
Não havia intimidade suficiente para compartilhar aquilo.
Enquanto ainda tentava reagir, Isabela continuou:
— Se não me engano, você não pretende contar ao Eduardo. Quer se divorciar... e tem medo de que ele tente tirar o bebê de você. Acertei?
Daniela franziu a testa. Os lábios pálidos se comprimiram.
Ao ver a reação, Isabela soltou um leve suspiro:
— Não precisa ficar na defensiva. Eu sou como você... também perdi um filho. Nossas histórias são parecidas. Talvez você consiga confiar em mim.
As palavras atingiram Daniela.
O coração apertou, a tensão no corpo cedeu.
As pernas fraquejaram, ela quase caiu, mas Isabela a segurou.
Isabela a levou até o quarto e a ajudou a sentar na beira da cama.
Daniela manteve as mãos fechadas, os olhos cerrados.
Os cílios tremiam.
Uma lágrima escorreu.
Isabela pegou um lenço e entregou:
— Como filha da família Fagundes, a gente nunca teve o direito de escolher quem amar ou com quem casar. Naquela época, quando você enfrentou nosso pai por causa do Eduardo e rompeu com a família... eu admirei sua coragem.
Daniela abriu os olhos, surpresa.
Isabela sustentou o olhar e sorriu de leve:
— Eu não tive essa coragem. A pessoa que eu amava vinha de uma origem simples, e nosso pai nunca aceitou. Ele não era como o Eduardo. Pai usou ele para me ameaçar... Ele era bombeiro, uma profissão difícil e perigosa, mas digna. Ele amava o que fazia. Eu não quis arrastar ele para essa situação, então terminei. Foi egoísmo... mas, mesmo assim, pai descobriu que eu estava grávida. Ele me obrigou a abortar. O bebê tinha só três meses... cabia na palma da minha mão.
Isabela a observou por alguns segundos e assentiu:
— Se você já decidiu, tudo bem. Se precisar de ajuda, me procura.
Daniela sorriu:
— Obrigada.
— Pode me tratar como irmã. Não precisa dizer mais nada.
Isabela se levantou:
— Preciso descer. Se eu ficar muito tempo aqui, vão desconfiar.
— Tá bom.
Quando Isabela desceu, Eduardo acabava de se despedir de um empresário.
Ao se virar, os olhos dele encontraram os dela.
Eles tinham estudado na mesma época, mas nunca foram próximos.
Só passaram a ter algum contato depois do casamento dele com Daniela.
Aquela bandeja de comida tinha sido um pedido dele.
Eduardo pegou uma taça de champanhe e entregou a Isabela:
— Ela ainda não quer descer?
Isabela recebeu a taça, mantendo a expressão neutra:
— Ela não está bem. Acho que quando os convidados forem embora, ela desce.
Eduardo assentiu, não disse mais nada.
Isabela o observou por um instante.
Hesitou, mas acabou perguntando:
— Aqueles rumores na internet... são verdade? Você realmente traiu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...