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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1

Com vinte e cinco semanas de gravidez, Tatiane Oliveira acabou flagrando a traição do marido no hospital.

O homem alto e impecavelmente bonito vestia um sobretudo preto.

Nos braços, protegia uma jovem delicada e encantadora.

Ela usava um casaco branco de pele de raposa. As bochechas estavam rosadas pelo frio; o rosto pequeno, quase todo envolto em um cachecol de lã macia. Os traços eram finos e perfeitos, como os de uma boneca de porcelana.

Tatiane apertava com força o papel do exame pré-natal.

Os dedos iam ficando pálidos, sem cor.

O vento gelado cortava-lhe o rosto, mas nada era mais frio do que a dor súbita que atravessou seu peito.

Henrique Barbosa a viu de longe.

Seu rosto permaneceu indiferente, sem o menor sinal de constrangimento por ter sido flagrado.

Foi ele mesmo quem abriu a porta do carro para a garota, com gestos cuidadosos e gentis.

Tão distante.

Tão frio.

Tão inacessível.

O homem que sempre parecera um superior inalcançável também era capaz de demonstrar tamanha ternura.

A garota pareceu notar Tatiane.

Hesitou por um instante, lançou-lhe um olhar curioso e, em seguida, virou-se para Henrique.

— Aquela mulher ali. — Perguntou, apontando de leve. — Por que ela fica olhando pra você o tempo todo? Rick, você conhece ela?

O vento uivava nos ouvidos.

Tatiane não conseguiu ouvir claramente o restante da conversa.

Mas, pelo tom e pela forma como a jovem se referia a ela, entendeu com nitidez dolorosa.

Estava sendo tratada como uma mulher mais velha.

Tatiane soltou um riso amargo por dentro.

Ela tinha apenas vinte e quatro anos.

Mas o corpo levemente acima do peso, o rosto comum, o casaco preto volumoso, o gorro escuro…

Somados à gravidez já avançada, ao inchaço e à expressão exausta, faziam-na parecer uma mulher de trinta e tantos, talvez quarenta.

Como poderia competir com uma jovem bonita, radiante, cheia de vida?

Henrique envolveu a garota com o braço e a ajudou a entrar no carro.

Tatiane permaneceu imóvel no mesmo lugar, o corpo rígido, os pés cravados no chão, observando o veículo se afastar pouco a pouco até desaparecer.

Ela e Henrique haviam se casado por causa da gravidez.

Para alguém como ele, um homem sempre destinado ao topo, aquela união forçada era uma mancha em sua vida.

E a criança que ela carregava no ventre não passava de uma ferramenta.

Um meio de pressão.

Ele a odiava.

Odiava profundamente.

Ela o amara em silêncio por oito anos.

Tatiane sempre soubera que não estava à altura dele.

Por isso, só podia se esforçar cada vez mais.

Estudava sem descanso, avançava passo a passo, tomando Henrique como o ideal de vida que precisava alcançar, seguindo de longe cada pegada deixada por ele.

Até que, finalmente, conseguiu.

Tornou-se sua assistente.

Passou a ficar ao lado dele, tão perto quanto jamais ousara imaginar.

Mas aquela noite…

Não destruiu apenas Henrique.

Foi ainda mais cruel com ela.

Despedaçou, sem piedade, todo o orgulho e a dignidade que Tatiane tentava manter diante dele.

Ela jamais conseguiria esquecer o olhar que ele lançara depois.

Cheio de nojo.

Como se tivesse tocado em algo imundo, repulsivo.

Era por isso que apenas garotas bonitas, jovens e impecáveis eram dignas de alguém como ele.

Uma lágrima quente escorreu pelo canto de seus olhos.

Logo em seguida, uma fisgada atravessou-lhe o baixo-ventre.

Tatiane levou a mão à barriga quase por reflexo, apoiando-se com a outra em um pilar de pedra ao lado.

Uma enfermeira que passava percebeu seu estado e correu até ela, amparando-a com cuidado e conduzindo-a ao consultório.

Não era nada grave.

Apenas uma reação causada pela forte oscilação emocional.

O bebê fora afetado pelo estresse.

Depois de algum tempo, quando tudo se estabilizou, Tatiane deixou o hospital.

Com o corpo e a mente exaustos, dirigiu sozinha até o Residencial Aurora.

Aquela era uma das mansões particulares de Henrique.

Por ordem da avó dele, Lorena Dias, duas babás experientes haviam sido enviadas da residência principal da família Barbosa para cuidar dela.

Naquele momento, as duas estavam sentadas na sala aquecida, comendo tranquilamente, conversando e rindo, como se fossem as verdadeiras donas da casa.

Ao ouvirem o barulho da porta, uma delas virou a cabeça em direção à entrada.

Ao ver Tatiane retornar, levantou-se e foi até ela.

— E aí? Como foi o resultado do exame? — Perguntou.

O tom era arrogante.

O olhar, claramente desdenhoso.

Diziam estar ali para cuidar dela, mas agiam muito mais como vigias ou como anfitriãs fiscalizando a presença de uma intrusa.

Tatiane lançou apenas um olhar frio na direção da mulher.

Não respondeu.

Virou-se e seguiu diretamente para a escada.

A babá franziu o cenho, irritada.

— Ei, eu estou falando com você.

Tatiane continuou sem dizer uma única palavra.

A mulher observou suas costas se afastarem e não conteve um resmungo de desprezo.

Soltou um riso frio pelo nariz e murmurou, quase inaudível:

— Gorda e sem o menor pudor… Ainda acha que virou alguém da família Barbosa? Fazendo pose… Pra quem, afinal?

Tatiane voltou para o quarto.

Sentou-se na beira da cama, com o coração completamente vazio, perdida, sem direção.

Nem Henrique nem a família Barbosa jamais a haviam aceitado de verdade como esposa.

Naquela época, fora Lorena quem insistira para que registrassem o casamento.

O velho Sr. Barbosa sofrera uma piora repentina no estado de saúde e, justamente naquele momento, Tatiane aparecera grávida à porta.

Para trazer esperança à família e evitar boatos, acusações e escândalos, a união fora decidida às pressas, como se tudo estivesse sendo empurrado pela mão invisível do destino.

Talvez tivesse sido apenas coincidência.

Com o passar do tempo, a saúde do patriarca se estabilizou.

E a atitude da avó em relação a Tatiane tornou-se um pouco menos dura.

Mas os outros membros da família Barbosa continuavam a tratá-la com um desprezo descarado, sem qualquer tentativa de disfarce.

A ida ao hospital naquele dia tinha outro motivo.

Ela fora confirmar o sexo do bebê.

Era uma menina.

A mãe de Henrique, Bianca Moreira, provavelmente já havia recebido a notificação do hospital.

Nesse instante, o celular vibrou.

Tatiane respirou fundo e trouxe a mente de volta ao presente.

Capítulo 1 1

Capítulo 1 2

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