Tatiane seguia caminhando, parando de vez em quando. Ao meio-dia, mal tinha comido, agora, com o frio cortando a pele e a fome apertando, o estômago começava a reclamar, numa pontada incômoda que vinha e ia.
Ela caminhava havia mais de meia hora.
Quando finalmente chegou ao portão principal, sentia as pernas pesadas e o corpo mais frágil do que gostaria de admitir.
Assim que fez menção de sair, o segurança da entrada a deteve.
— Sra. Tatiane, o Sr. Henrique pediu que a senhora volte.
Tatiane permaneceu em silêncio por um segundo. Sabia muito bem que aquilo não tinha nada a ver com preocupação.
— Eu não vou voltar. — Disse, já levando a mão ao ventre, tentando seguir adiante.
O segurança, porém, abriu os braços e bloqueou a passagem.
— Nós também não podemos deixar a senhora sair. A senhora está grávida, a noite está fria. Se acontecer alguma coisa, a responsabilidade cai sobre a gente. Por favor, volte.
Tatiane ergueu o olhar para ele e soltou um leve vapor de ar quente pela boca. O tom suavizou.
— Você pode me emprestar um celular para eu fazer uma ligação?
— Desculpe, Sra. Tatiane.
Ela ficou ali, parada, sentindo o desconforto no ventre se intensificar, como se algo a apertasse por dentro.
Nesse momento…
Um som de buzina veio de trás.
Tatiane virou a cabeça por instinto e viu quem estava ao volante. Seus olhos se iluminaram, como se tivesse encontrado uma salvação inesperada. Amparando a barriga, caminhou mancando até o carro. O joelho, machucado pela queda de mais cedo, ainda não tinha melhorado; com o vento frio batendo, doía ainda mais.
Sérgio Martins abaixou o vidro do passageiro.
— Sr. Sérgio… — A voz dela saiu fraca. — O senhor pode me levar embora?
Ele não fez perguntas.
— Entra.
— Obrigada.
Tatiane abriu a porta e se acomodou no banco.
O segurança observou a cena sem coragem de impedir. Ficou apenas parado, vendo o carro de Sérgio se afastar pelo caminho. Em seguida, voltou à guarita e ligou para o ramal do prédio oito.
— Sr. Henrique… A Sra. Tatiane saiu. Ela foi no carro do Sr. Sérgio.
Dentro do carro, Sérgio lançou um olhar rápido para ela. O rosto de Tatiane estava pálido demais.
— A barriga está doendo?
Tatiane não tentou parecer forte.
— Me leve ao hospital, por favor.
Sérgio não respondeu. Apenas acelerou.
No caminho, o celular dele tocou. Era Leandro. Os dois tinham combinado de se encontrar naquela noite, e Leandro queria saber a que horas ele chegaria.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
30 capítulo e não aconteceu nada de interessante, esse cara é ridículo, a história tá perdendo enredo, era pra tá prendendo a gente , mas já tá um saco, li até aqui e não vi sentido algum. Me desculpa só sendo sincera…...