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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 196

Tatiane parou no meio do passo.

Então era ali que ele estava. O tempo todo. À espera.

Henrique deu a última tragada no cigarro, jogou a bituca no chão e a esmagou com a ponta do sapato. Depois virou o rosto e lançou um olhar para a mulher, ainda imóvel.

Os olhos dele, escuros como a noite, tinham uma profundidade impossível de decifrar.

Tatiane sentiu uma coisa só: perigo.

Apertou a bolsa com força, baixou os olhos e seguiu em direção ao próprio carro. Foi só então que percebeu: o carro dele bloqueava completamente a saída do dela.

Se quisesse ir embora, ele teria de sair primeiro.

Ela parou outra vez, respirou fundo e disse:

— Senhor Henrique, faça o favor de tirar o carro. Eu preciso ir.

Henrique apenas a encarou. Pela postura, estava claro que não pretendia sair dali.

— Já que fiquei devendo isso à senhorita Evelyn... — Disse ele, com tranquilidade. — O mínimo é resolver essa história de uma vez.

Tatiane sustentou o olhar dele.

— A minha solução é simples: eu não quero mais ver você na minha frente. Entendeu?

Henrique soltou uma risada baixa, quase preguiçosa.

— A senhorita Evelyn acha mesmo que eu estou te seguindo? Eu pareço tão desocupado assim?

Enquanto falava, começou a andar na direção dela.

Havia algo errado na presença dele.

Tatiane recuou por instinto, mas havia um carro logo atrás. Sem saída.

Antes que pudesse reagir, Henrique já estava diante dela. Alto, imponente. Apoiou uma das mãos no teto do carro e se inclinou, curvando o corpo sobre o dela.

O perfume dele, amadeirado, elegante, discreto, veio junto com uma pressão sufocante, tomando conta de todo o espaço ao redor.

Tatiane arregalou os olhos quando o encarou de tão perto. Por um instante, o ar pareceu desaparecer.

Então a voz dele soou baixa, arrastada:

— Ou será que a senhorita Evelyn acha... Que eu teria algum interesse em você?

O deboche nos olhos dele era escancarado.

Nem se dava ao trabalho de esconder.

Os dedos de Tatiane se fecharam com força.

De repente...

Pá!

O estalo seco do tapa cortou o ar.

Sem hesitar, ela ergueu a mão e acertou precisamente o rosto dele.

Por um segundo, o tempo pareceu congelar.

Até o ar ficou mais frio.

Sem lhe dar chance de reagir, Tatiane o empurrou com força. Com os nervos à flor da pele, lançou-lhe um último olhar antes de se virar, caminhar até o banco do motorista, abrir a porta e entrar no carro, travando tudo em seguida.

Baixou os olhos para a própria mão.

Estava vermelha.

E tremia.

O coração batia fora de compasso, quase doendo.

Ela... Tinha mesmo acabado de dar um tapa em Henrique.

Não fazia ideia de como ele reagiria.

Mas não se arrependia.

Aquele tapa já estava atrasado havia muito tempo.

Depois de um tempo, o braço dela caiu, sem força.

Tatiane se recostou no banco.

Os minutos passaram, quantos, ela não saberia dizer.

Até que ouviu, atrás de si, o som de um motor sendo ligado.

Piscou, voltando a si, e olhou pelo retrovisor.

Mais cedo, enquanto conversava com Leandro sobre trabalho, ele lhe trouxe uma novidade: o caso do acidente que ela sofrera em Horizonte Novo tinha avançado.

Otávio, da Vértice Holdings, não sabia do acidente na época.

Mas, por causa do fracasso na assinatura com a Pró-Vida, Henrique o havia transferido para um escritório regional.

Quanto a Vicente... Já tinha fugido para o exterior.

Agora, dentro da empresa, não havia mais ninguém que contestasse a posição de Tatiane como diretora.

Foi então que Leandro perguntou:

— Ah, é verdade... A Noemi não foi incomodar sua mãe e sua família, foi?

Tatiane respondeu:

— Claro que não. Meus pais adoraram a Ceci. E a Noemi realmente emagreceu bastante.

Leandro riu.

— Faz anos que ela diz que vai emagrecer. Agora, finalmente, resolveu agir.

Tatiane sorriu, sem dizer nada.

Devia ser esse o poder do amor.

Então ele acrescentou:

— Hoje ela me disse, do nada, que está pensando em transferir a Ceci para uma escola em Nova Aurora.

Depois do divórcio, Noemi vinha morando com os pais em Porto Nobre, levando a filha com ela. Só tinha vindo para cá por causa das férias de verão.

Tatiane se surpreendeu.

Noemi ainda não tinha comentado nada com ela.

— Ela quer se mudar para cá com a Ceci... E morar com você. — Leandro lhe lançou um olhar cheio de significado. — Acho que não é só para você controlar a dieta dela, né?

Tatiane deu de ombros e foi direta:

— Como sempre, nada escapa ao olhar do professor. Ela se apaixonou pelo meu irmão à primeira vista.

Mesmo depois de ter sofrido por amor, Noemi ainda acreditava nele.

No fundo, isso vinha de ter crescido cercada de afeto , numa família que sempre acolheu seus sentimentos, sem deixá-la desmoronar.

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