Karine lançou um olhar para Tatiane.
— Senhorita Evelyn, que bom que você chegou.
O tom carregava uma familiaridade incômoda, como se fosse ela a dona da casa.
Tatiane não respondeu. Apenas voltou o olhar para Henrique. O rosto dele, bonito e frio, permanecia impassível, indecifrável.
Ela não tinha a menor intenção de cumprimentá-lo.
E Henrique também não disse nada.
Só a observava.
Por um instante, o ar pareceu pesar.
Era evidente... Ele não tinha esquecido o tapa.
Foi a voz de Bia que quebrou o silêncio:
— Tia Evelyn! Hoje a gente vai pro haras! Vou te mostrar meu cavalinho!
Tatiane se surpreendeu e olhou para a menina.
Nesse momento, o motorista trouxe a van até a entrada e desceu para abrir a porta.
Bia segurou a mão dela, puxando com entusiasmo:
— Vem, tia Evelyn! Sobe logo!
Tatiane não teve muito como recusar.
E, pensando bem... Talvez fosse até melhor assim.
Ir ao haras com Bia era muito mais suportável do que permanecer naquela casa.
Ela ajudou a menina a subir, ajeitou-a no assento infantil e afivelou o cinto com cuidado. Depois entrou também e se sentou ao lado dela.
Por um instante, desejou que Henrique e Karine simplesmente seguissem com seus planos... E a deixassem em paz com Bia.
Mas aquilo não passava de ilusão.
— Papai! — Chamou Bia, impaciente.
Nesse momento, Aline apareceu trazendo as coisas da menina já organizadas e entregou a bolsa a Henrique.
Ele pegou e olhou para Karine.
— Pode entrar.
Karine estava prestes a subir quando Bia soltou, de repente:
— Papai, o tio Felipe não ia com a gente? A tia Kari pode ir com ele.
Karine congelou.
Virou-se para Bia, forçando um sorriso doce:
— Quero ir com você, Bia.
— Mas eu já tenho a tia Evelyn comigo. — Bia respondeu na hora.
Tatiane viu com clareza a expressão de Karine rachar por um segundo.
Toda aquela delicadeza... Não passava de fachada.
Por dentro, ela já devia estar cheia de ressentimento pela menina.
E justamente por ser algo tão forçado, Tatiane teve a impressão de que uma criança esperta como Bia percebia, ainda que só um pouco.
Isso a fez respirar um pouco mais aliviada.
Karine ergueu o olhar.
No instante em que seus olhos encontraram os de Tatiane, uma frieza atravessou seu semblante, impossível de esconder.
Mas, ao se voltar para Henrique, seus olhos já estavam marejados.
Henrique deu um passo à frente.
— Deixa a tia Kari entrar primeiro. O tio Felipe encontra a gente no haras.
Bia virou o rosto para Tatiane, como se pedisse confirmação.
Tatiane sorriu, tranquila:
— Deixa ela subir primeiro.
Só então Bia cedeu.
— Tá bom... — Disse, olhando para Karine. — Então entra logo, tia Kari.
Karine observou as duas.
A forma como se entendiam... Como se respondiam naturalmente...
Pareciam muito mais uma família do que ela jamais conseguiria ser.
Ela já estava farta daquela menina.
Aquilo só podia ser de propósito.
Bia estava claramente tentando colocá-la para baixo.
Mas Karine não entrou no carro.
Em vez disso, virou-se para Henrique, com os olhos vermelhos e a voz embargada:
— Rick... Podem ir vocês.
Assim que terminou de falar, deu a volta pelo carro e seguiu em direção ao portão.
Henrique colocou a bolsa dentro do veículo e, em poucos passos, a alcançou.
Pela janela, Tatiane viu quando ele a puxou para os braços.
Karine ainda resistiu duas vezes... Mas acabou cedendo, apoiando-se no ombro dele, chorando baixo.
— Porque eu não sei como a mamãe é... Eu sonhei com ela, mas quando acordei... Já não lembrava. — Bia respondeu, com toda a sinceridade.
Cada palavra... Era como uma lâmina atravessando fundo.
Bia levantou o rostinho, com aqueles olhos grandes e brilhantes:
— Posso desenhar a mamãe com a cara da tia Evelyn?
Tatiane se agachou diante dela.
— O papai já falou da mamãe pra você?
Bia fez um biquinho leve.
— Ele disse que a mamãe foi pra um lugar muito longe... E que não pode voltar agora.
Havia um traço de tristeza ali.
Tatiane sentiu o nariz arder.
Mesmo assim, perguntou:
— E você... Não fica com raiva dela?
Bia balançou a cabeça.
— Não. Eu não fico com raiva da mamãe. A mãe da Lili, das minhas primas... Todas são muito boas. Então a minha também deve ser. Só que ela não pode ficar comigo agora. Eu posso esperar.
Mas, enquanto falava, seus olhos foram ficando vermelhos.
Tatiane não conseguiu mais se conter.
Puxou a menina para um abraço apertado.
Respirou fundo...
E as lágrimas vieram.
Incontroláveis.
Sua filha... Era a coisa mais preciosa do mundo.
E não a odiava.
Bia, confusa dentro do abraço, chamou baixinho:
— Tia Evelyn?
Tatiane não respondeu.
Apenas a apertou ainda mais contra si... Como se quisesse compensar, em um único instante, todos os anos que perdeu.
Então Bia levantou os braços e abraçou o pescoço dela de volta.
Na entrada do ateliê, a figura de um homem permanecia parada.
Em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
A história é demasiadamente repetitiva. Mesmas falas, mesmo enredo. Parece açougueiro enchendo linguiça...
Até que fim o Henrique está tendo atitude de marido...
Gente, sou favorável que Henrique e Tati fiquem juntos, mas para isso ele precisa assumir verbalmente para ela que arrepende de tudo que fez, afinal ele também foi vítima desse casamento "arrajado", assumir os erros, pedir perdão declarar que a ama é o mínimo....
Falta o capítulo 763...
Kd o capítulo 763...
Está faltando o capítulo 763...
Desisto , 700 capítulos e a história nao muda... repetitiva, redundante, cansativa......
Mais de 600 capítulos e a personagem ainda remoendo dor, parece que é sadomasoquista, nem sinal afeto ou mesmo respeito entre os protagonistas. Acho que vou tentar outras leituras....
Estava gostando muito da história, mas agora perdeu o encanto. A Tati deveria se divorciar do Henrique. E ficar com o Leandro. O título do Livro não tem nada a ver com a história. Acho que nem vou ler o restante....
"O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores", e é por isso que vocês entregam apenas 3/4 do texto original quando começamos a pagar com as moedas? Porque sempre faltam falas e a gente acaba ficando sem entender algumas coisas. Corrijam isso....