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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 203

— Talvez.

Percebendo que Henrique não queria se aprofundar no assunto, André não insistiu.

As duas meninas já estavam com fome.

Tatiane e Isadora levaram Bia e Lili para a área de descanso interna, onde os funcionários já tinham deixado o lanche da tarde preparado.

Bia pegou um pedaço de bolo e levou até a boca de Tatiane. Ela deu uma mordida, afagou de leve a cabecinha da menina e, olhando para aquele rostinho corado, disse num tom carinhoso:

— Come você, Bia.

Sentada à frente das duas, Isadora observava a cena com um sorriso nos lábios.

— A Bia é bem apegada à senhorita Evelyn, não é?

Tatiane sorriu de leve.

— Eu gosto muito de criança.

Na conversa casual que tivera com Isadora mais cedo, Tatiane já havia percebido isso: ela sabia exatamente como falar, com a delicadeza e a medida de alguém muito bem-educada, carregando aquele ar discreto de moça criada num ambiente refinado.

Afinal, as duas eram estranhas uma para a outra. Cada frase vinha marcada por cuidado e certa distância, sem invasão, sem curiosidade demais.

E Tatiane não se incomodava nem um pouco com a companhia dela.

Quando Henrique e André entraram, encontraram as duas conversando em perfeita harmonia, num clima leve e agradável.

— O que vocês duas estão fofocando aí, tão animadas? — Perguntou André, bem-humorado.

Tatiane e Isadora levantaram os olhos ao mesmo tempo para os dois homens que se aproximavam.

No instante em que viu Henrique, o brilho no olhar de Tatiane esfriou.

Henrique percebeu, mas não disse nada.

André se sentou ao lado da esposa e da filha, passou o braço pela cintura de Isadora e perguntou à menina se ela tinha se divertido naquele dia.

Os dois pareciam em sintonia o tempo inteiro, e a cena em família tinha um ar acolhedor, quase doce demais.

Quando viu Henrique prestes a se sentar ao seu lado, Tatiane se afastou um pouco para dentro e chamou:

— Bia, senta aqui.

Queria a menina entre os dois.

Claro que Bia, naquela hora, não percebeu que Tatiane estava evitando de propósito ficar ao lado do pai dela.

Henrique lançou um olhar neutro para o movimento da mulher e, em seguida, advertiu a filha:

— Não come muito doce.

Bia estendeu para ele o pedaço de bolo que ainda segurava.

— Então o papai come.

Henrique pegou o bolo da mão da filha e terminou de comer o que ela tinha deixado.

Bia e Lili ficaram acenando uma para a outra até cada uma entrar em seu carro.

Depois que saíram dali, André assumiu o volante, enquanto Isadora foi no banco do passageiro. Só então ela finalmente deu voz à dúvida que a acompanhava desde mais cedo:

— Quanto mais eu olhava hoje, mais achava que a Evelyn parecia a mãe da Bia... Você acha que ela pode ser a Tatiane?

Isadora nunca tinha visto Tatiane pessoalmente, mas, claro, sabia muito bem quem ela era.

Sabia que a família Barbosa não a aceitava e que Henrique jamais tinha gostado dela.

Antes, sempre imaginara que uma mulher que tinha usado a gravidez para entrar numa família como aquela, casando-se com um homem como Henrique, alguém que parecia ter nascido acima dos outros, faria de tudo para continuar ao lado dele, mesmo que precisasse engolir humilhação e sofrimento, só para manter o posto de senhora Barbosa.

Mas Tatiane não tinha feito isso.

Ela se mostrara uma mulher orgulhosa.

Tinha dado à família Barbosa a única menina da nova geração. Poderia muito bem ter usado a filha para garantir de vez seu lugar ali dentro, mas, de repente, simplesmente desaparecera sem deixar rastro.

Só isso já bastava para que os outros passassem a enxergá-la de outra forma.

André soltou uma risadinha.

— Talvez a sua intuição não esteja errada.

Isadora arregalou os olhos, chocada.

— Então é mesmo ela? O Rick sabe?

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