— Depois de quase dez anos no mercado, consigo perceber certas coisas num piscar de olhos. — Carolina comentou, com um leve sorriso surgindo em seu rosto habitualmente calmo. — Sem falar que você sempre deixa todas as emoções à mostra.
Luísa tocou o próprio rosto, inconscientemente.
— No ambiente de trabalho, às vezes é preciso aprender a se esconder. — O olhar de Carolina sobre ela era como o de uma irmã mais velha.
— Me esconder? — Luísa ouviu aquilo pela primeira vez.
Carolina assentiu levemente.
Os olhos claros de Luísa ganharam uma nuance de emoção. Desde pequena, a mãe sempre lhe dizia que bastava ser verdadeira, que tudo ficaria bem. Depois do casamento, Rodrigo também disse que amava sua sinceridade, sua franqueza. Mas agora, alguém dizia para ela se ocultar.
— Não fale demais sobre sua vida pessoal no trabalho. — Carolina explicou, passando as regras básicas do ambiente corporativo, de forma prática. — Mesmo que seja sobre o seu conflito com a secretária Tatiana.
Luísa levantou o olhar.
— Porque ninguém se importa com o que realmente aconteceu. As pessoas apenas gostam da fofoca, de apimentar a monotonia do dia a dia. — Carolina explicou.
Ao ouvir isso, Luísa teve uma espécie de epifania. Ela nunca se importou com essas sutilezas, nunca entendeu as nuances do mundo corporativo. Se, de manhã, quando Tatiana trouxe café e bolo, ela tivesse falado que era filha de uma amante, ninguém teria se posicionado ao seu lado. Eles eram apenas seus colegas, não amigos. Entre colegas, o que conta é o interesse.
— Carol. — Luísa mudou a forma de se dirigir a ela, sincera em sua gratidão. — Obrigada por me dizer tudo isso.
Carolina manteve a expressão calma, mas uma leve suavidade passou pelo seu olhar.


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