— Isso não já aconteceu? — Luísa não foi nem um pouco afetada pelas palavras dele.
O olhar de Rodrigo se aprofundou. Ele sabia que ela estava falando do que houve entre ele e Tatiana.
— O Sr. Rodrigo não tem como pagar cem reais, não é? — Marcos entrou na conversa para ajudar. — Quer que eu fale com a Lulu e peça para ela te dar um desconto?
— Quero. — Rodrigo respondeu sem pensar.
O sorriso de Marcos congelou.
Luísa ficou calada.
Rodrigo pousou os talheres, levantou-se, pegou o paletó e a bolsa ao lado com as roupas de Cacá e disse calmamente para ele:
— Então vou incomodar o Sr. Marcos, para falar por mim sobre esse desconto.
Depois disso, sem se importar com a reação dos dois, ele saiu andando.
Quando a porta se fechou com força, Marcos e Luísa se olharam, e na testa dele parecia haver um enorme ponto de interrogação.
— Desde quando o Rodrigo ficou tão sem-vergonha assim? — Marcos não o conhecia muito bem, baseava-se apenas nas interações passadas e nos boatos.
Pedir para falar por ele? Ele realmente não liga para a própria imagem?
— Sempre foi. — Respondeu Luísa.
— Você está falando sério? — Marcos não acreditou.
Luísa assentiu.
Para o mundo exterior, a imagem de Rodrigo era a de alguém calmo e calculista, mas quem já o ofendeu ou teve contato com ele sabia que, no fundo, ele era bastante ardiloso.
Rodrigo desceu, entrou no carro, e seus olhos estavam mais escuros que a própria noite.
Pedro, no banco do motorista, sentia uma pressão enorme dentro do carro, até respirar estava difícil, mas como o chefe não dizia nada, ele não se atrevia a se mover.
Uma hora depois, Marcos desceu.
Ele girava a chave do carro no dedo indicador, caminhando leve e descontraído. Dava para ver que estava de ótimo humor.
Marcos não entendeu o que ele quis dizer com aquilo.
— Mas agora posso te dizer claramente. — O tom de Rodrigo era casual, mas as palavras batiam direto no coração. — Aquilo que você deseja nunca vai se concretizar.
— É mesmo? — Marcos não acreditou.
— É. — Rodrigo afirmou com convicção.
— Tudo depende das pessoas. Ninguém pode dizer com certeza o que acontecerá antes que aconteça. — Retrucou Marcos.
— Por mais que dependa das pessoas, isso ainda exige que a minha relação com a Luísa termine. — Rodrigo jogou uma bomba com um tom despreocupado. — E se eu não terminar?
— O que você quer dizer com isso? — O cenho de Marcos se franziu imediatamente.
A resposta foi o vidro do carro sendo levantado por Pedro. O rosto de Rodrigo foi gradualmente desaparecendo. Marcos estava prestes a bater no vidro para pedir uma explicação, mas o carro arrancou indo embora.
Rodrigo olhou pelo retrovisor.
Marcos estava parado, encarando o carro deles, com uma expressão nada boa. Ele ficou ali por um bom tempo antes de entrar no próprio carro, dividido, o tempo todo, entre subir ou não para contar tudo a Luísa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Pediu o Divórcio com o Bebê nos Braços — e Ele Surta!
Vai ter atualização?...