— Eu morei lá com ela por um tempo. — As mentiras de Glauber saíam com naturalidade. — Caso contrário, por que você acha que eu saberia daquele lugar, e que você consegue entrar?
Luísa ainda tinha suas dúvidas.
— Anda logo. — Glauber abriu a porta e a apressou.
— Primeiro, me devolve o celular. — Luísa estendeu a mão. — Preciso mandar uma mensagem para a Nádia. Desligar a ligação de repente daquele jeito deve tê-la deixado preocupada.
— Quando você desligou minha ligação do nada, por acaso pensou que eu ficaria preocupado? — A falta de vergonha de Glauber não tinha limites.
Luísa não respondeu.
Justo quando ela pensava em dizer algo para desviar a atenção dele, a porta do elevador se abriu de repente. Em seguida, Ísis saiu, vestindo uma camiseta escura de manga curta. O cabelo curto e desalinhado caía sobre a testa, deixando-a incrivelmente estilosa.
Ao perceber que Luísa a olhava, Ísis sorriu de canto e piscou o olho.
Instintivamente, Glauber seguiu o olhar dela.
— Se não me engano, esse celular é da Luísa. — Ísis pegou o aparelho da mão de Glauber com naturalidade, brincando com ele por dois segundos. — Por que está com você?
— Devolve! — Glauber estendeu a mão para pegar de volta.
O celular era a única coisa capaz de fazer Luísa obedecer. Se voltasse para as mãos dela, ela certamente não iria com ele abrir a porta, e ele não conseguiria pôr as mãos no que havia lá dentro.
— Guarde bem. — Ísis desviou com facilidade e colocou o celular nas mãos de Luísa.
— Obrigada. — Luísa sentiu um leve alívio.
— Quem é você? — O rosto de Glauber empalideceu. Ele estava extremamente insatisfeito com a aparição repentina de Ísis.
— Ísis. Uma pessoa comum, sem nome nem fama. — Ísis apoiou um braço no ombro de Luísa, numa clara postura de proteção. — Se o senhor tiver algum problema com o que fiz, podemos resolver isso agora.
O semblante de Glauber ficou sombrio de repente. "De onde essa maldita garota tira tantos lunáticos?", ele pensou.

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