Ela sentiu alguma coisa?
Sentiu. Ela não era de pedra, era impossível não baixar a guarda diante de palavras tão doces.
Ela se comoveu?
Sim, ela se comoveu. Ele realmente se importava com ela.
Eles deveriam voltar?
Quando essa pergunta surgiu em sua mente, Luísa hesitou por um instante, mas em apenas um momento recuperou a lucidez e tomou uma decisão.
As palavras eram reconfortantes, mas aquilo que ele havia dito no passado foi igualmente afiado e doloroso. Ela se importava demais com aquelas frases que negavam o seu valor, se importava a ponto de conseguir suprimir à força aquela palpitação no coração que quase ressurgia das cinzas.
— Pense bem e me diga. — Disse Rodrigo, sem saber que, em poucos segundos, Luísa já havia pensado em tantas coisas. — De preferência dentro de uma semana.
— Resolva você. — Respondeu Luísa. Ela acreditava que ele não agiria por favoritismo e sabia que, se enfrentasse a família Monteiro, não teria chance alguma. — Eu confio em você.
— Está bem. — Os lábios finos de Rodrigo se entreabriram.
Luísa murmurou em concordância.
A conversa entre os dois não poderia ter sido mais simples, mas Bruna sentiu algo estranho, uma quietude típica da calmaria antes da tempestade, como se, depois dessa tranquilidade, viesse o choque mais intenso entre eles dois.
Ela não sabia quanto tempo aquela paz duraria, nem quão violenta seria a tempestade.
Só sabia que, naquele momento, ela se sentia como uma intrusa, segurando vela.
— O Cacá vai sair bem cedo na segunda-feira com o ônibus do acampamento de verão. Que tal você ficar aqui nesses próximos dias? — Rodrigo falou em tom de sugestão. — Você dorme no quarto principal com ele, e eu fico no quarto de hóspedes.
Luísa ergueu o olhar.
Enquanto pensava em como responder, Rodrigo puxou sua mão. A palma quente envolveu o dorso da dela.
— Pode ser? — Sua voz era suave, carregada de expectativa.
— Pode. — Luísa concordou.


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