— Espera um pouco. — Cacá o chamou.
Rodrigo não desligou. Para ele, que estava saudável, tudo parecia muito mais casual.
— Conversaremos amanhã quando eu voltar. Eu e a sua mamãe temos um voo bem cedo.
Depois de dizer isso, sem esperar por uma reação do outro lado, Rodrigo desligou sem hesitar.
Ele não foi imediatamente bater à porta de Luísa. Ficou olhando para o celular por um minuto. Passado esse tempo, sem nenhuma mensagem de Cacá, soube que ele tinha acreditado em suas palavras. Guardou o telefone e foi até o quarto onde Luísa estava.
Ele deu duas batidas, mas Luísa não abriu.
Naquele momento, ela estava diante da janela do chão ao teto, observando os prédios lá embaixo e os carros que iam e vinham. No coração, espalhava-se uma sensação indescritível, junto com a incerteza sobre o futuro.
Com um clique, Rodrigo empurrou a porta e entrou.
— Por que não abriu? — A voz grave perguntou.
— Se eu abrir ou não, você sempre consegue entrar. — O tom de Luísa era neutro, seus olhos ainda estavam fixos na janela.
Rodrigo deu alguns passos e parou atrás dela, envolvendo-lhe a cintura com os braços, colando-lhe as costas ao próprio peito.
— Ficar com raiva faz mal à saúde. Não use o erro dos outros para se punir.
Um traço de ironia passou pelo olhar de Luísa. Ele sempre dava um jeito de dizer tanto as palavras boas quanto as ruins.
— Quando voltarmos para a Cidade J, você pode me punir como quiser. Eu aceito qualquer castigo. — A mão larga dele envolveu a mão pequena dela. — Agora, vamos nos lavar e dormir, está bem?
Luísa não acreditava em uma única palavra dele. Ele dizia que aceitava qualquer castigo, mas se ela pedisse que não dormissem no mesmo quarto, que ele ficasse longe dela, ele certamente diria que só não aceitava castigos que não afetassem a harmonia conjugal.
O som da água ainda corria no banheiro. Ela foi até a cama, pegou o celular de Rodrigo e digitou a senha, que continuava a mesma de antes, o seu aniversário. Vasculhou as conversas no WhatsApp e o histórico de chamadas. À primeira vista, não havia nada de estranho.
Considerando que ele era meticuloso e poderia ter apagado algo, ela abriu o contato do Dr. Eduardo e enviou uma mensagem: [Se Luísa perguntar sobre o que aconteceu esta noite, diga a verdade. Não precisa esconder nada]
Após conferir, clicou em enviar.
Ela sabia que era uma tolice ainda confiar nele depois de tudo o que havia acontecido. Mas, no fundo do coração, havia uma voz dizendo que Rodrigo não era esse tipo de pessoa. Por mais que quisesse alcançar seus objetivos, não brincaria com a vida do próprio filho.
O som da água cessou. Luísa apagou imediatamente a mensagem enviada ao Dr. Eduardo e colocou o celular de volta no lugar.
De repente, o som de notificação ecoou. A tela do celular de Rodrigo se acendeu.
Luísa lançou um olhar ao banheiro, ainda sem sinal de que a porta fosse aberta. Reprimiu o coração acelerado, aproximou-se outra vez e pegou o celular, desbloqueando-o rapidamente para ver a mensagem.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Pediu o Divórcio com o Bebê nos Braços — e Ele Surta!
Vai ter atualização?...