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Ele Acha Que Basta Chorar Para Me Ter de Volta? Jamais! romance Capítulo 526

Cristiano parou.

O tom de Graciana era calmo.

— O que você faria depois? Me levaria ao conselho? Diria a todos que a sua esposa escreveu um relatório de risco para o grupo enquanto cuidava da criança em casa?

Ela até sorriu.

Um sorriso fraco que logo desapareceu.

— Cristiano, naquela época, aos seus olhos, eu não deveria nem me meter nos assuntos da empresa.

Cristiano pareceu ser pregado por aquelas palavras.

Não se preocupe com os assuntos da empresa.

Ele mesmo havia dito isso.

Mais de uma vez.

— Naquela época eu...

— Você estava muito ocupado. — Graciana completou por ele. — O conselho estava de olho em você, o setor médico não podia errar e o grupo precisava de uma boa transição. Todos achavam que você estava sob pressão e que não era fácil para você.

Ela olhou para ele.

— Eu também achava.

O olhar de Cristiano tremeu levemente.

— Então, quando vi os riscos, a minha primeira reação foi não deixar que aquelas famílias fossem arrastadas pelos projetos terceirizados.

— Não fui eu? — a voz dele soou baixa.

Graciana finalmente ficou em silêncio por um segundo.

Esse segundo foi curto, mas fez o coração de Cristiano parecer ser apertado por algo.

Ele até criou uma expectativa absurda.

Esperando que ela dissesse que também foi um pouco por ele.

Mesmo que fosse só um pouco.

Graciana olhou para ele, a voz baixa e clara.

— Naquela época, eu ajudei os dados dos pacientes, não você.

Alguém abriu a porta da área de visitas e logo se afastou.

Cristiano ficou sentado ali, como se ouvisse algo quebrar levemente dentro do seu corpo.

Não você.

Essas duas palavras pesaram mais do que qualquer repreensão.

Porque ela não estava mentindo.

E não queria machucá-lo de propósito.

Ela apenas colocou os fatos no lugar.

A prioridade do relatório nunca foi o futuro de Cristiano.

Ela protegeu as famílias, as crianças e os limites dos dados envolvidos nos projetos do grupo.

O grupo se beneficiou.

Ele também se beneficiou.

Isso foi apenas o resultado.

Não o objetivo dela.

Cristiano abaixou os olhos.

O selo do envelope na mesa estava intacto. Ele havia verificado várias vezes antes de chegar; dentro havia apenas a declaração de selamento do Relatório W, os registros de adoção dos ajustes da época e um plano de esclarecimento interno.

Não havia dados pessoais de Graciana.

Não havia o cache do computador antigo dela.

Ele achou que isso mostraria que tinha aprendido a ter limites.

Mas, na frente dela, esses limites chegaram tarde demais.

— Eu vou cuidar dos grupos. — disse ele. — O grupo vai explicar que recebeu um alerta externo de risco de conformidade na época, sem envolver a tecnologia central ou a origem do modelo da Stellaris.

Graciana olhou para o envelope.

— Você quer tornar isso público?

— Sem citar você. — disse Cristiano. — Só para bloquear a ideia de que o relatório anônimo foi um roubo de tecnologia.

Graciana olhou para ele por alguns segundos.

— O Augusto não vai soltar só isso.

O olhar de Cristiano esfriou.

— Eu sei.

— Ele trabalha com terceirização médica e projetos; quanto mais bagunçado o grupo estiver, mais chances ele tem. — disse Graciana. — A StarBridge é só para a opinião pública. A QX Consultoria é por onde ele quer entrar.

Cristiano levantou os olhos.

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