Valentina dormia até tarde no quarto.
Pela manhã, Sávio e Luciano foram tomar o café da manhã.
Luciano levou uma bandeja para cima e a deixou na mesa ao lado da cama, para o caso de Valentina acordar com fome.
Sávio ficou sentado sozinho no andar de baixo, comendo batatas fritas com peixe.
Ele não entendia o que as pessoas falavam e não tinha celular para se distrair, então ficou brincando com seu relógio.
Enquanto brincava, os olhos de Sávio se iluminaram.
De repente, ele se lembrou de algo e abriu a conversa com Tadeu.
Enviou todas as fotos que tirou nos últimos dias, sem deixar nenhuma de fora.
No final, perguntou com um ar de superioridade.
[Savinho: Tadeu, você viajou nas férias?]
[Savinho: Adivinha onde eu estou.]
Quando a mensagem chegou, Tadeu estava se despedindo daquele pote de pés de porco caramelizados.
O Velho Senhor também estava sem saber o que fazer.
Segurando o pote de comida que estava prestes a estragar, ele olhava para o pequeno senhor à sua frente, com os olhos vermelhos e quase chorando, sem ter como ajudar.
Tadeu travou uma batalha interna por um momento, depois enxugou as lágrimas e disse, como se estivesse fazendo um grande sacrifício:
— Pode levar, vovô.
O mordomo, temendo que ele mudasse de ideia, saiu correndo com suas pernas já idosas.
Tadeu realmente mudou de ideia.
Mas o mordomo já havia voltado com o pote vazio.
Tadeu sentiu um aperto no coração, querendo até mesmo olhar na lixeira lá fora.
O mordomo o deteve rapidamente:
— Haverá mais, pequeno senhor, haverá mais. Se quiser, posso entrar em contato para que a senhora prepare outro pote para você.
Tadeu ergueu a cabeça, depois a abaixou novamente.
— Deixa pra lá, não vamos incomodar a mamãe.
Sua mãe era médica e muito ocupada.
Tadeu subiu as escadas sozinho e viu seu relógio-telefone, que estava carregando, emitir um som estrondoso, como um radar.
Ele parou, pensando que o relógio ia explodir, e recuou, cobrindo os ouvidos.
O relógio tocou por um tempo e finalmente parou.
Tadeu, confuso, aproximou-se com cautela.
Viu mais de 99 mensagens de Sávio.
Tadeu ficou em silêncio por um momento, abriu a conversa e seu olhar foi atraído por uma figura na foto.
Era... sua mãe.
Mas não parecia exatamente sua mãe.
Não a mãe gentil e suave que conhecia.
Ela usava um lindo vestido longo, montava um cavalo marrom, segurava a aba de um chapéu de palha e sorria de forma radiante e brilhante.
Tadeu piscou lentamente.
Sentiu algo macio tocar seu pequeno coração.
Com muito cuidado, ele salvou aquela foto e a definiu como protetor de tela do seu relógio.

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