Depois de falar, ela virou a cabeça e olhou para Osvaldo de novo, como se estivesse confirmando se não tinha falado nada errado.
Então ela continuou a falar, com o tom mais inocente ainda: — Andreia, não entenda errado eu e o Osvaldo. Nós estávamos escolhendo um presente para você, só que ainda não achamos um adequado. — Ela inclinou a cabeça, com um tom de manha na voz: — Você não vai me culpar, né?
Ela pegou o braço de Osvaldo de novo, balançou de leve e falou com manha: — Viu? Eu falei para você trazer ela. Você quis fazer surpresa, e agora deu tudo errado...
Andreia ficou parada no lugar, olhando para os dois.
Um fingindo inocência, o outro impaciente.
Ela sorriu de repente e balançou a cabeça. Aquele sorriso estava cheio de deboche.
— Camille, dá para não atuar? — Ela disse. A voz não era alta, mas cada palavra era clara: — Falar tanto não é só para mostrar que os sentimentos entre você e o Osvaldo são diferentes? Ele é diferente com você, não é?
Ela fez uma pausa, olhou para Osvaldo e voltou para o rosto de Camille.
— Fique tranquila. Eu não tenho interesse nesse homem agora, é todo seu. — O tom dela era leve, como se estivesse falando de algo sem importância: — Se você conseguir convencê‑lo a assinar logo, eu ficarei imensamente grata.
Depois de falar, ela virou de costas e foi.
— O que você disse?
A voz de Osvaldo veio de trás, com uma raiva reprimida ao extremo.
Ele correu dois passos, estendeu a mão e bloqueou o caminho dela.
Andreia levantou a cabeça para olhar para ele. O rosto dele estava terrivelmente sombrio, o maxilar tenso, e as veias da têmpora pulsavam.
— Repita o que você acabou de dizer. — A voz dele era baixa, como se tivesse sido espremida por entre os dentes.
Andreia olhou para ele e não disse nada.
Osvaldo a encarou, com o peito subindo e descendo forte.
O olhar dele caiu sobre as sacolas de compras na mão dela. Aquilo ofuscava os olhos.
— Me dê. — Ele estendeu a mão para pegar.
Andreia desviou para trás, mas o movimento dele foi mais rápido.
A mão dele agarrou a alça da sacola de compras e puxou com força. Andreia foi arrastada, tropeçou um passo e quase caiu.
— Osvaldo, o que você está fazendo! — Ela segurou a sacola com força e não soltou.
Os dois começaram a puxar.
Já havia pedestres parando ao lado, apontando e olhando.
Camille estava a alguns passos de distância, com um pânico na medida certa no rosto, mas não tinha intenção de ir impedir, e até estava um pouco orgulhosa.
A paciência de Osvaldo acabou por completo.

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