Lucca soltou o pulso dele, com um tom neutro.
— Sr. Madeira, aqui é um shopping, não a casa da Família Madeira. Se quer mandar em algo, vá para casa, você não é bem-vindo aqui.
Ele fez uma pausa, o olhar passando pelo rosto de Osvaldo e parando no gerente do shopping que olhava na direção deles não muito longe: — Lembre-se deste rosto. Na próxima vez, proíba os dois de consumirem aqui.
O rosto de Osvaldo escureceu na mesma hora.
— Lucca, você...
Ele estava mesmo indo contra ele por causa de Andreia?
Que vantagem isso trazia para ele?
— Sr. Madeira. — Lucca o interrompeu, com o mesmo tom calmo de antes. — Fique à vontade.
Osvaldo ficou ali, o peito subindo e descendo drasticamente, como uma fera encurralada irritada.
Ele cerrou os punhos, as unhas quase cravando na carne.
Ele queria dizer algo para salvar as aparências, mas sentiu a garganta bloqueada por alguma coisa, incapaz de espremer uma única palavra.
Camille se aproximou por trás, parando ao lado de Osvaldo.
Seus olhos ainda estavam vermelhos. Ela olhou para Andreia, com a voz suave, mas carregando um tom indescritível.
— Andreia, como você pode fazer isso? — A voz dela trazia uma acusação magoada. — Osvaldo é seu marido, como você pode ajudar um estranho? Mesmo que esteja brava com o Osvaldo, não deveria tratá-lo assim. Nos três anos de casamento, tudo o que você comeu, usou e gastou veio do Osvaldo.
Ela abaixou a cabeça, a voz ainda mais baixa, como se falasse consigo mesma: — O que um casal não pode resolver conversando, para ter que chegar a esse ponto...
Andreia olhou para ela, de repente achando tudo muito ridículo.
— Srta. Rios. — Ela chamou o nome de Camille, com a voz baixa, carregando um traço de ironia. — Quando você estava de braços dados com o meu marido provando roupas agora há pouco, pensou que ele era o meu marido?
O rosto de Camille empalideceu na mesma hora.
— Eu... eu só... — Ela abriu a boca, a voz tremendo. — Eu só considero o Osvaldo como um irmão...
— Quando você segurou o braço dele e me perguntou, pensou que ele era um homem casado?
— Eu... eu não! — Camille tentou retrucar, mas a voz ficou cada vez mais baixa, como se algo estivesse apertando sua garganta.
Era exatamente esse o efeito que ela queria, mas a sensação de ser desmascarada na cara ainda fez seu rosto queimar muito.
Andreia não olhou mais para ela. Ela virou a cabeça e olhou para Osvaldo.


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