Se Tadeu a enganasse, ela pediria o divórcio.
O carro logo chegou ao hotel da família Campos. Tadeu foi estacionar, e Glaucia ficou esperando na entrada.
Nesse exato momento, um conversível esportivo aproximou-se em alta velocidade e freou bruscamente bem na frente dela, levantando uma nuvem de poeira que fez Glaucia tossir duas vezes.
Logo soou uma voz debochada: — Ora, ora, se não é o casal modelo do nosso círculo? Sra. Pires, por que está parada aqui fora? Seu marido tem coragem de deixá-la tomando vento?
Quem falava era o anfitrião da festa, Antônio Campos.
Glaucia não sabia quando havia ofendido aquele homem, mas sempre que se encontravam, ele não perdia a chance de ser sarcástico.
Especialmente com a frase "casal modelo", que ele repetia constantemente.
Glaucia não deixou barato: — Isso é algo que eu deveria perguntar ao Sr. Antônio. A família Campos organiza um evento deste tamanho, mas não tem um manobrista na porta? Não é um pouco de avareza?
Antônio ficou sem resposta, sua expressão escureceu. Ele estava prestes a retrucar quando uma voz magnética veio do lado: — Infantil. Sem graça.
A porta do carona se abriu e um homem de porte alto desceu. Vestia um terno preto de corte impecável, mas usado de forma despojada. O cabelo estava com gel, mas não naquele estilo sério e lambido; alguns fios caíam soltos, projetando sombras sobre a testa.
Um brinco de diamante azul na orelha refratava um brilho singular sob a luz do pôr do sol.
Depois de sair do carro, ele deu um chute, nem forte nem fraco, no pneu, resmungando: — Da próxima vez, não venha me buscar com esse carro. É desconfortável.
— Certo, certo, Sr. Ícaro. O que o senhor disser, está dito. — O mesmo Antônio que fora arrogante com Glaucia, agora sorria de forma bajuladora para o homem.
O homem soltou um riso de escárnio e comentou: — A organização está tão sem classe que o próprio Sr. Antônio teve que vir manobrar os carros.
Um constrangimento passou pelo rosto de Antônio. Ele lançou um olhar, proposital ou não, na direção de Glaucia, murmurou algo e foi estacionar o carro.
Mas, revirando suas lembranças, não encontrou nada.
Vendo Glaucia um pouco distraída, Tadeu perguntou: — O vento está muito frio? Quer que eu busque um xale?
— Não precisa. — Glaucia recusou a gentileza. Algumas pessoas já se aproximavam para conversar, então ela assumiu seu sorriso habitual, cumprimentando educadamente todos que vinham falar com Tadeu.
Ao levantar levemente a cabeça, o olhar de Glaucia cruzou com um par de olhos amendoados no andar de cima. Era o homem que acabara de ver.
Ele girava a taça de vinho com um movimento lento e arrogante. Parecendo perceber o olhar de Glaucia, ergueu levemente uma sobrancelha em direção a ela.
Como se a cumprimentasse.
Um gesto inexplicavelmente íntimo.

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