Residencial Harmonia.
Glaucia não voltava lá há muito tempo.
Desta vez, ao aparecer, trazia atrás de si cinco carros. Vinte seguranças treinados desceram e se posicionaram, uma cena que assustou os empregados da mansão.
Todos se entreolharam, e ninguém ousou se aproximar para cumprimentar Glaucia.
— Onde está a Hortência? Mande-a sair — exigiu Glaucia, sem paciência para lidar com os empregados.
— A Srta. Hortência não está. Senhora, se tiver algum assunto, seria melhor esperar o Sr. Tadeu chegar — disse o mordomo, bloqueando a porta.
— Como é? Se não me falha a memória, ainda sou a dona desta casa. Agora preciso da sua permissão para entrar? — retrucou Glaucia.
A atitude do mordomo denunciava que havia algo errado. Quanto mais tentavam impedi-la, mais ela queria entrar e ver com os próprios olhos.
— Não é isso, senhora, eu apenas...
— Tirem ele da frente — ordenou Glaucia.
Ela veio para um acerto de contas, não para ouvir as desculpas esfarrapadas do mordomo cobrindo os rastros de Tadeu.
Ela ia descobrir o que o Residencial Harmonia escondia.
Imediatamente, um segurança avançou e puxou o mordomo para o lado.
Os homens que ela trouxe eram imponentes, músculos visíveis sob os ternos, claramente profissionais. Os empregados, intimidados, recuaram, ninguém ousou ajudar o mordomo.
Glaucia entrou sem resistência.
O térreo estava vazio. Nem Hortência, nem Tadeu.
Mas Glaucia notou que o lugar na parede onde deveria estar sua foto de casamento com Tadeu estava vazio.
Ela subiu direto para o quarto principal e empurrou a porta.
Como esperado.
Na penteadeira, seus cosméticos haviam sumido.
A cama estava desarrumada, com pijamas masculinos e femininos misturados.
Qualquer um veria que Tadeu e Hortência estavam dividindo aquele quarto.
Aquele quarto principal... Durante os cinco anos de casamento, ele nunca dormiu lá com ela. Agora, virara o ninho de amor dele e de Hortência.
Pensar que ela viveu ali tanto tempo lhe causou náuseas.
O mordomo entrou logo atrás dela. Vendo Glaucia imóvel, tentou explicar, constrangido:
— Senhora, não é o que parece. O pijama do senhor sujou esta manhã e a Srta. Galvão disse que lavaria, deixou aqui temporariamente, eles...
Ela ligara inúmeras vezes para Tadeu hoje, sem resposta. O mordomo ligou uma vez e foi atendido.
Tadeu sabia de tudo o que Hortência fazia. Provavelmente consentiu. Ele estava apenas se escondendo dela.
Glaucia desceu e sentou-se no sofá, esperando calmamente. Sem ordem para parar, os seguranças continuavam a demolir o andar de cima.
O mordomo, desesperado, quase implorou, mas Glaucia não se moveu. Finalmente, impaciente, ela levantou-se:
— Está muito devagar. Ponham fogo logo.
Quando o carro de Tadeu chegou, a primeira coisa que ele viu foi o clarão das chamas.
Glaucia estava no jardim, observando o fogo com frieza. Seus seguranças formavam um círculo protetor ao redor dela, isolando-a do mordomo.
Tadeu desceu do carro e correu em direção a ela:
— Glaucia, o que você está fazendo?
Glaucia não respondeu. Virou-se para o segurança mais próximo:
— Verifique a câmera do painel do carro dele.
Se Hortência não estava ali, Tadeu certamente a escondera.

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