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Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha romance Capítulo 215

— Hipócrita, nojento. Tadeu, não encoste em mim. — Glaucia repreendeu com fúria.

Cada toque de Tadeu a fazia ter vontade de vomitar incontrolavelmente.

Por baixo daquela fachada de cavalheirismo e educação, ele se revelava o monstro mais asqueroso deste mundo, sem escrúpulos e sem limites.

Mesmo naquele banquete banhado a ouro e luxo da alta sociedade, debaixo dos olhos de inúmeras pessoas, ele exibia seus desejos mais vis sem o menor pudor.

Glaucia concluiu que ele não parecia em nada com um integrante da elite social altamente instruída; pelo contrário, era inferior a um animal selvagem movido apenas por instinto.

— Não resista tanto, Glaucia. Você voltará para mim mais cedo ou mais tarde. Quando tivermos o nosso filho, você vai... — Tadeu sussurrou.

— Suma daqui, Tadeu. Nunca haverá um filho seu. Mesmo que me force a algo hoje, não deixarei que consiga o que quer. — Glaucia cortou.

Ela se debatia desesperadamente.

Porém, a força de uma mulher era insignificante contra a de um homem, ainda mais agora que seu corpo estava mole e sem energia. Ela não conseguia mover Tadeu nem um milímetro.

— É só da boca para fora, Glaucia. Se você foi capaz de ter o filho de um João Ninguém, por que não o meu? Sei muito bem como você cuidou daquele bastardo com todo o carinho, com certeza fará o mesmo com o nosso filho. Seja boazinha, não lute contra mim. Eu vou te tratar bem. — Tadeu disse com falsa ternura.

Ele prometia tratá-la bem, mas cada palavra que saía de sua boca era como um prego de aço perfurando o coração de Glaucia.

Tudo aquilo havia sido planejado por ele.

E agora, era ele quem mudava de ideia e queria mantê-la ao seu lado, enquanto suas palavras destilavam nojo pelo passado da ex-esposa.

Glaucia havia gasto uma força monumental para conseguir manter o coração impassível ao lembrar daquelas coisas. Agora, Tadeu rasgava a superfície daquele lago calmo com as próprias mãos, deixando-a em carne viva novamente.

— Saia! Suma daqui! Não encoste em mim! — Glaucia estava à beira de um colapso. A frustração de não conseguir se defender a puxava para baixo, fazendo-a lembrar incontrolavelmente da noite em que engravidou de Sérgio.

Aquele homem cujo rosto ela nunca conseguiu ver com clareza... Aquele rosto borrado, aos poucos, parecia se sobrepor à sombra de Tadeu, fazendo-a estremecer por inteira.

Sem conseguir se soltar, ela começou a chutá-lo e a usar os joelhos.

A resistência feroz fez a impaciência surgir no rosto de Tadeu.

Ele apertou o queixo de Glaucia com força.

— Glaucia, se aquele homem qualquer pôde te tocar no passado, por que eu não posso? O que foi? Por acaso sou pior do que ele?

Glaucia não sabia quem era aquele homem.

Mas tinha certeza de que não existia ninguém no mundo que lhe causasse mais repulsa do que Tadeu.

— É pior, sim, Tadeu. Você é a pessoa mais nojenta que eu já conheci. Qualquer um neste mundo seria melhor que você. — Ela trincou os dentes.

A consciência de Glaucia estava turva. Ela não sabia que tipo de droga haviam lhe dado e não ousou perder tempo. Simplesmente empurrou Hortência para o lado e correu em direção às escadas.

Clarinda estava no andar de baixo. Se encontrasse Clarinda, estaria segura. Esse era o único pensamento na mente de Glaucia no momento.

No entanto, ela não conseguiu ir muito longe antes de esbarrar de frente em um peito firme.

Em meio ao torpor, ela pareceu ouvir o suspiro resignado de um homem.

— É a segunda vez, Srta. Ouriço.

A voz era extremamente familiar. Glaucia levantou o rosto atordoada, e a primeira coisa que viu foi um pingente conhecido. Uma safira esculpida com a imagem de um leão majestoso e realista.

Um feixe de luz azul-profunda pareceu atravessar sua mente caótica.

— Ícaro, é você? — Glaucia murmurou.

Sem esperar resposta, ela tocou o pingente de safira. Havia sido esculpido por suas próprias mãos; ela conhecia a textura e o formato melhor do que ninguém. Em sua mente entorpecida, algo pareceu se iluminar de repente. Ela puxou o pingente de leve e estendeu a mão para Ícaro.

— Você é o meu cavaleiro, não é? Me tire daqui, por favor?

Com a consciência alterada, até o tom de voz de Glaucia ganhou um toque infantil e manhoso, como se estivesse fazendo um dengo.

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