Quanto mais apaixonado e honesto Ícaro era, menos Glaucia queria misturar outras coisas nesse novo relacionamento.
— Então prometa para mim, Glaucia, que não vai me expulsar. Me dê a chance de cuidar de você, de te conquistar. — disse Ícaro.
O brilho em seus olhos era intenso demais, quase como uma súplica, impossível de ser recusada por Glaucia. Ela respondeu:
— Tudo bem. Amanhã vou procurar uma casa grande. Ícaro, te darei uma resposta em breve.
Esta casa era pequena demais.
Já que ela o trouxe, não podia simplesmente ignorá-lo.
Ela precisava comprar uma casa grande. Pelo menos, não podia ser menor que a do Residencial Harmonia.
E ela também não podia deixar Ícaro passar desconforto morando ali.
Ícaro observou a expressão séria e solene de Glaucia. De repente, ele deu uma risada leve, os dedos acariciando suavemente os cabelos longos dela:
— Bebê, você vai me bancar?
Aquele "bebê" fez o rosto de Glaucia corar novamente, e ela respondeu:
— Não fale bobagens. Você ficou sem teto por minha causa, eu não posso deixar você passar necessidade, né?
Na verdade, ambos sabiam que a história de "sem teto" era apenas uma desculpa. Com o patrimônio de Ícaro, mesmo que ele não dissesse que tinha propriedades por toda parte, era impossível que não tivesse onde cair morto.
Mas agora, Ícaro aceitou essa narrativa de forma muito natural:
— Então vou ficar esperando você vir me buscar para a nossa nova casa.
A forma como ele falou fez parecer que ele era realmente um cachorrinho abandonado, esperando o dono levá-lo.
Glaucia não pôde deixar de rir e disse:
— Ícaro, como você consegue ser tão obediente?
— É um privilégio só seu. Já que sou tão bonzinho, de agora em diante, Glaucia, não precisa ter cerimônias comigo. Quando tiver algum problema, não se esqueça de mim. Eu serei o seu escudo na linha de frente, atirando para onde você mandar. — Ícaro sussurrou.
Sendo mimada assim por ele, grande parte da sombra no coração de Glaucia se dissipou.
Ela colocou a mão suavemente na testa de Ícaro e, quando estava prestes a dizer algo, ouviu o som suave da porta se abrindo. Sérgio estava de pé na porta, esfregando os olhos, olhando confuso para eles:
— Mamãe, tio Ícaro, o que vocês estão fazendo?
O pulso de Glaucia enrijeceu e ela recolheu a mão instintivamente:
— Sérgio, por que você levantou?
Sérgio murmurou:
— A comida do tio Ícaro estava tão gostosa que comi demais e agora não consigo dormir. Mamãe, você pode me contar uma história para eu dormir?
A expressão dócil de Ícaro foi substituída por uma ponta de irritação por causa das palavras de Sérgio. Ele lançou um olhar furioso para o menino, mas Sérgio já havia corrido e segurado a mão de Glaucia:
— Por favorzinho, mamãe?
— Claro que sim. A mamãe vai contar uma história para você. — Glaucia se desvencilhou rapidamente da atmosfera ambígua de antes, segurando a mão de Sérgio e voltando para o quarto das crianças.
Quando ela saiu do quarto de Sérgio, já havia se passado meia hora.
No corredor, havia apenas uma luz de presença para iluminar o caminho.
Glaucia viu a figura alta de Ícaro encolhida em um canto do sofá, parecendo um pouco digno de pena.
Em seu coração, ela tomou novamente a decisão: amanhã, sem falta, compraria uma casa grande.
Na manhã seguinte, Glaucia foi acordada pelo toque estridente do telefone.
Ao ver o nome "Tadeu" piscando na tela.
Um traço de irritação passou por seu coração.
Mas, no fim, ela atendeu a ligação.
Tadeu deu um endereço e exigiu que Glaucia fosse até lá imediatamente.
Glaucia se arrumou rapidamente. Ao sair do quarto, viu que Lívia já havia chegado e estava ocupada na cozinha.
Ao ver Glaucia, Lívia disse:
— Srta. Glaucia, o Sr. Ícaro levou o pequeno Senhor para correr faz pouco tempo. O café da manhã já está quase pronto, a senhora poderia esperar um pouco.
— Não preciso de café da manhã. Por favor, avise a eles que eu tive um imprevisto urgente. — Glaucia disse.
Talvez pelo fato de estar indo encontrar Tadeu, ao ver que Ícaro não estava ali, Glaucia sentiu um alívio inexplicável.

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