Tadeu sabia que Hortência era inútil, por isso nunca falava de seus negócios com ela.
E Hortência, contanto que visse Tadeu trazer dinheiro sem parar, ficava feliz e não se importava como ele o havia ganhado.
Essa atitude ignorante deixou Napoleão ainda mais furioso. Ele virou-se para Vitória e ordenou:
— Pare de chorar e leve-a para dar uma volta. Preciso ter uma conversa a sós com o Tadeu.
Napoleão sabia muito bem que havia coisas que Hortência jamais deveria escutar.
Vitória levou Hortência para fora. Assim que ficaram sozinhos, Napoleão disse:
— Tadeu, me diga a verdade. O que exatamente você fez? Sujou as mãos com a vida de alguém?
Tadeu retrucou com sarcasmo:
— O pai sabe tanto sobre isso porque também já fez esse tipo de coisa, não é? Você tem sangue nas mãos?
Desde que começou a trabalhar com Vinicius, Tadeu já havia deduzido o tipo de atividade ilegal na qual Napoleão estava envolvido.
Já que ambos estavam no meio da sujeira, Tadeu não achava que Napoleão tivesse qualquer autoridade moral para lhe dar lições.
— Fiz isso porque fui forçado — defendeu-se Napoleão. — Tadeu, pare de tentar me provocar. Diga-me honestamente o que você está fazendo. Vamos pensar juntos se há alguma chance de salvação. Você deve saber que essa gente é psicopata, são criminosos cruéis. Lidar com eles é como lamber sangue na ponta de uma faca. Sou seu pai e, claro, quero que você fique são e salvo.
O tom sincero de Napoleão finalmente suavizou um pouco a atitude de Tadeu. No entanto, em vez de falar sobre si mesmo, Tadeu indagou:
— Pai, se você conhece tão bem esse meio, por que se envolveu com eles? Antes de me julgar, por que não fala sobre si mesmo?
Sabendo que provavelmente não havia volta para Tadeu e que ambos seguiam agora o mesmo caminho sombrio, Napoleão decidiu não esconder mais nada. Suspirou profundamente:


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