Quando Isaura finalmente acordou, já era madrugada. Ícaro chegou a aparecer no hospital, dizendo que precisava se explicar para Glaucia.
Mas, com Sérgio presente e dentro de um hospital, Glaucia não tinha o menor interesse em ouvi-lo. Apenas pediu que Ícaro levasse Sérgio para casa.
Às nove da noite, Glaucia também convenceu Clarinda a ir embora, restando apenas ela no quarto para acompanhar Isaura.
Embora estivesse muito mais calma, Isaura segurou firme a mão de Glaucia e disse:
— Glaucia, a mamãe sabe que você tem seus próprios planos, mas eu só não quero ver você se machucar de novo. O seu pai já se foi, e você é tudo o que me resta. A mamãe não suportaria ver você sofrer mais uma vez.
Ela apertava a mão de Glaucia com força, a voz carregada de uma clara ansiedade.
Glaucia acariciou sua mão de forma tranquilizadora:
— Mãe, eu prometo a você. Só vou ouvir a explicação dele uma única vez. Se eu notar que algo está errado, vou me afastar imediatamente. Não darei a mais ninguém a chance de me machucar.
Isaura sabia que isso já era uma grande concessão por parte da filha, então não insistiu.
Naquela noite, Glaucia permaneceu no hospital.
Como o estado emocional de Isaura ainda era instável, ela precisaria ficar em observação por mais algum tempo. Glaucia tratou de renovar a internação.
Ela própria precisava de tempo para esfriar a cabeça e planejava passar os próximos dias ali.
Porém, na manhã seguinte, Glaucia recebeu uma ligação de Palmira.
Do outro lado da linha, Palmira apenas chorava, gaguejando sem conseguir explicar nada. Preocupada e sem conseguir contato com César Reis, Glaucia acabou comprando a primeira passagem de avião disponível para a Cidade G.
No entanto, assim que desembarcou do voo, foi interceptada.
Era Tadeu.
Ele estava acompanhado por vários seguranças de terno preto, formando uma escolta que chamava bastante atenção.
Seus olhos sorridentes pousaram em Glaucia e ele disse num tom suave:
— Feliz Ano Novo, Glaucia!
— Tenho mais o que fazer, não vou perder meu tempo com suas bobagens. Mande seus capangas saírem do caminho — ordenou Glaucia, sem rodeios. Preocupada com Palmira, ela não tinha a menor disposição para bater papo com Tadeu.
Tadeu retrucou:
— Está indo procurar a Palmira? Não perca seu tempo. Fui eu quem fez a ligação, a voz foi gerada por inteligência artificial. Quanto ao César, ele não atende porque eu mandei embebedá-lo. Vejo que o truque funcionou perfeitamente. Glaucia, você realmente se importa muito com a Palmira, não é?
A franqueza com que ele confessou tudo causou em Glaucia uma raiva profunda.
Encarando Tadeu, Glaucia teve vontade de revirar os olhos:
— Você é doente? Fez todo esse circo para me trazer até aqui para quê?


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