— Meu filho mal morreu, e ela já fugiu com outro. E agora ousa voltar para levar minha neta! Eulália Sampaio, aquela cadelinha ingrata. Nos últimos seis meses, demos a ela a melhor comida e bebida. Demos tudo que ela quis. E agora ela foge com aquela mãe sem coração! Ai meu Deus, como é triste o destino da família Sampaio!
Antes, Hortência havia levado Eulália e alterado seu sobrenome para Galvão. Agora que voltara à família, seu nome passara a ser Eulália Sampaio.
O velho Sampaio não acompanhava a esposa nas maldições. Ele batia o cachimbo de fumo na mesa de madeira repetidamente; o som rápido e oco demonstrava sua irritação:
— Para que chorar? Chorar resolve algo? Pense em um jeito de trazê-la de volta! Ela é a única semente da família Sampaio. Contamos com ela para trazer um marido para a nossa casa e continuar nossa linhagem. A herança da família Sampaio não pode acabar em nossas mãos!
Exatamente. Eles trataram Eulália a pão de ló, não por amor, mas com o único propósito de que ela, no futuro, arranjasse um genro que morasse com a família Sampaio e desse continuidade à linhagem deles.
— Você só sabe falar da boca para fora. Onde eu vou procurar? Aquela maldita se deu bem na vida e fugiu. Para onde você acha que a encontraremos?
Os dois começaram a brigar no pátio, ignorando os espectadores.
Alguns vizinhos, não suportando a situação, avisaram:
— Tio Sampaio, tia Sampaio, a criança sumiu. Que adianta brigar? Nessas horas vocês precisam chamar a polícia.
— Chamar a polícia! Isso mesmo, chamar a polícia. Eu vou obrigá-la a devolver a Eulália! — Dona Sampaio bateu na coxa, finalmente recobrando o bom senso.
Nesse exato momento, alguém gritou lá fora:
— A polícia chegou! A polícia chegou!
Enquanto Glaucia e os outros saíam do carro, puderam ouvir os ruídos vindos do pátio da família Sampaio. Pelos insultos de Dona Sampaio, ela percebeu que suas suspeitas estavam corretas. De fato, Hortência levou Eulália para sequestrar Sérgio.
A polícia havia chegado antes mesmo que eles a contatassem. Dona Sampaio se sobressaltou, mas logo correu em direção a eles, tropeçando nos próprios pés:
— Policiais, vieram por causa da minha neta? Aquela desgraçada sequestrou minha neta! Vão atrás dela e prendam-na!
Ela tentou agarrar a roupa de Caio, mas ele esquivou:
— Senhora, peço que se acalme. Eu já entendi a situação. O problema agora é que sua nora não só levou sua neta, como também outras duas crianças. Você sabe para onde elas foram?
— O quê? Sequestro? Elas vão para a cadeia? Aquela maldita da Hortência ir presa até vai, mas a Eulália não! Ela é a raiz da família Sampaio! Contamos com ela para continuar nossa linhagem!
O velho Sampaio saiu do pátio, rapidamente entendendo o foco do problema, elevando a voz.
Caio franziu a testa diante das falas do homem:
— Peço que não fujam do assunto e colaborem com a investigação. Vocês têm ideia de onde Hortência poderia estar?
— E como a gente ia saber? A nossa criança também foi roubada! Aquela mulher é uma praga, ela...

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