Dona Sampaio não suportou a atitude desdenhosa de Hortência.
Avançou e começou a brigar feio com ela. Caio teve que pedir aos outros policiais que as separassem:
— O que estão fazendo? Aqui é uma delegacia, não a feira. Comportem-se!
Os cúmplices de Hortência já haviam confessado. Todos eles afirmaram ter sido ameaçados e coagidos por ela a assassinar o próprio marido.
O caso antigo exigiria uma investigação mais detalhada. A questão iminente era resolver o sequestro de Sérgio.
Glaucia e os outros também foram chamados para prestar depoimento.
Como Sérgio e Sófia eram pequenos, Glaucia e Dália acompanharam as entrevistas do início ao fim.
Sófia ainda estava muito abalada e chorava sem parar. Sérgio, por outro lado, estava muito mais calmo. Embora seu pequeno rosto estivesse pálido, ele se manteve firme e com a coluna reta.
Glaucia se curvou e disse:
— Sérgio, como você e a Eulália foram embora hoje? Tudo que eles fizeram precisa ser detalhado ao policial, entendeu?
Sérgio balançou a cabeça em concordância. Ao abrir a boca, ele se mostrou muito articulado:
— A Sófia e eu estávamos esperando a tia Dália do lado de fora quando a Eulália veio até nós. Ela disse que minha mãe estava falando com a mãe dela em outro lugar e que o tio Tadeu também estava lá. Ela falou que a mamãe queria que eu fosse. Me desculpe, mamãe, e tia Dália. Tudo foi minha culpa. Eu fiquei com medo de que o tio Tadeu fizesse mal para a mamãe e escutei o que a Eulália falou... Eu acabei envolvendo a Sófia.
Eulália estava habituada a ajudar Hortência com as maldades; era natural que fizesse tudo isso com muita facilidade.
Além do fato de Sérgio a conhecer, ela havia usado Glaucia como pretexto. Nessa situação, seria esperado que Sérgio caísse na armadilha.
Sérgio abaixou a cabeça, sentindo-se muito culpado. Ele olhou de canto para Sófia e, de repente, assegurou a Dália:
— Tia Dália, eu prometo... de hoje em diante tomarei mais cuidado. Eu vou proteger a Sófia e garantir sua segurança. Por favor, deixe a Sófia brincar comigo...
Sófia parou de chorar naquele momento e, percebendo a seriedade e o zelo de Sérgio por ela, segurou as mãos da mãe:
— Mamãe, eu quero brincar com o Sérgio. Eu não o culpo.
Notando a união forte entre as crianças, apesar de ainda estar apreensiva, Dália expressou um leve sorriso. Ela bateu de leve nos ombros de Sérgio e disse:
— Querido, não se preocupe. A tia sabe o quanto você toma conta da Sófia, e não o culpo. Eu nunca proibiria vocês dois de serem amigos.
Sérgio suspirou profundamente em alívio:
— Tia Dália, prometo proteger a Sófia sempre, de verdade.
Quando eles terminaram os depoimentos, Eulália precisou ir para interrogatório. Ela ficou encostada na porta, encarando Sófia com ferocidade nos olhos.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eles Pareciam uma Família, E Eu Virei a Estranha