Apenas quando Cora preparava, Bernardo fazia questão de comer.
Na verdade, desde que se casaram, sempre havia sido assim.
Portanto, sempre que Bernardo voltava para casa, Cora preparava todas as refeições.
Bernardo encostou-se no batente da porta e ficou a observando.
Cora conseguia sentir o olhar dele sobre si.
Ela tentou controlar as batidas do coração, arrumando uma desculpa razoável para si mesma.
Estava cozinhando por causa do bebê, precisava se alimentar bem. Não era por causa de Bernardo.
Além disso, não queria arrumar mais brigas com Bernardo; afinal, Nicolas ainda estava nas mãos dele.
Com esse pensamento em mente, Cora foi se acalmando aos poucos.
Assim que ela terminou de cozinhar, Bernardo ajudou naturalmente a levar a comida para a mesa.
Os dois sentaram-se e comeram em silêncio.
— Quero ir ver o Nicolas. Depois de tantos dias, ele já deve estar estável — Cora quebrou o silêncio repentinamente, fazendo o pedido a Bernardo.
Bernardo manteve a calma:
— Espere o aviso do médico. Como eu já disse, se você for agora, há risco de infecção cruzada, o que não o ajudará em nada. Além do mais, ele está na UTI, você nem conseguiria entrar.
— Eu me contento em olhar pelas câmeras do monitor — Cora insistiu.
Esse comentário fez Bernardo levantar os olhos e encarar Cora.
O olhar dela não demonstrou nenhum recuo.
— Cora, seja obediente. — O tom de Bernardo não admitia recusas.
— Bernardo, eu... — Cora ainda tentava insistir.
Porém, ela conhecia Bernardo bem o suficiente para saber que isso significava que ele não queria mais discutir o assunto.
Dito e feito, Bernardo levantou-se.
Cora ficou tensa instantaneamente.
Como num reflexo condicionado de anos, ela quis se esquivar.
Tinha medo de que Bernardo a machucasse.
Quase que subconscientemente, ela protegeu a barriga.

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