Após dizer isso, Adelina fez menção de virar as costas para ir embora.
No entanto, no momento seguinte, Bernardo agarrou o pulso dela:
— Eu não dei permissão para você ir.
Aquela frase fez brilhar uma alegria oculta nos olhos de Adelina:
— Bernardo... Mas...
Ela parecia hesitar, encenando um falso dilema.
Bernardo segurou a mão de Adelina com firmeza, enquanto mantinha um olhar frio sobre Cora.
— Não está vendo que temos uma convidada? Você ainda ostenta o título de Sra. Pereira; esqueceu como se recebe alguém em casa? — exigiu Bernardo a Cora em tom de ordem.
Quanto mais Cora demonstrava repulsa, mais ele desejava subjugá-la e encontrar a versão dela que aceitaria os seus abusos de cabeça baixa.
Cora ficou parada onde estava, o rosto ainda pálido.
Ela certamente não havia previsto que Bernardo seria capaz de tamanho cinismo.
— Cora, a minha paciência é curta — ele a ameaçou novamente.
Cora sabia muito bem que ele estava usando o apartamento da mãe dela como chantagem para forçar a sua submissão.
Se ela não cedesse, o apartamento da sua mãe não sairia ileso.
Ela poderia muito bem decidir abrir mão daquilo.
Mas, na sua vida despedaçada, aquele era o único pedaço de lembrança intacto que lhe restava.
Além disso, era a última herança da sua falecida mãe.
— Bernardo, precisa mesmo me forçar assim? Qual é a graça disso? — questionou Cora, segurando as emoções.
O olhar de Bernardo tornou-se ainda mais pesado.
A atmosfera ficou ainda mais estagnada.
Vendo aquilo, Adelina puxou a manga da camisa de Bernardo levemente com as mãos pequenas:
— Bernardo. A Cora parece estar muito pálida, talvez ela não esteja se sentindo bem. Por favor, não a force a nada.
O tom dela era característico, como se cada palavra fosse proferida pelo bem-estar de Cora.
Então, ela deu alguns passos na direção de Cora:
— Cora, peço desculpas, eu não sabia que você tinha voltado. Se soubesse, não teria vindo até aqui.

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