— Daniel, volte para Luzia do Mar.
Cora Fernandes falou com uma calma assustadora. Depois disso, ela se calou.
Daniel Colombo permaneceu imóvel, plantado no mesmo lugar.
Quando o tempo esgotou, a polícia entrou. Ele foi forçado a se retirar, pois não queria causar ainda mais problemas para Cora.
Ela fechou os olhos. Após a partida de Daniel, recusou-se a receber qualquer outra visita.
Como o seu quadro clínico estava estável, a própria Cora exigiu ser levada à delegacia para colaborar com as investigações. Aquela atitude deixou os policiais confusos, entreolhando-se. No entanto, o procedimento padrão precisava ser seguido, e ela teria que enfrentar um interrogatório.
Cora já havia estado naquela mesma sala antes. Da última vez, não importava o método que usassem, ela jamais havia confessado nada. Desta vez, porém, todos perceberam que não lhe restava a menor vontade de viver. Antes mesmo que fizessem qualquer pergunta, ela confessou por conta própria.
— Sim, eu estava lúcida. Não bebi. O meu alvo era mesmo a Adelina. Eu queria matá-la. — Cada palavra dela soava carregada de uma convicção absoluta.
A sala de interrogatório possuía câmeras. Cada frase foi gravada e serviria como prova irrefutável perante o juiz.
Os agentes trocaram olhares.
— Vamos encerrar o interrogatório de hoje por aqui. — Um dos policiais levantou-se abruptamente.
Eles não pediram que Cora assinasse a confissão e a levaram de volta para a cela de detenção. Comparada às torturas anteriores, sua situação agora era muito melhor. Exceto pela falta de liberdade, não sofreu nenhum tipo de abuso.
Mas Cora continuava quieta. Tão quieta que sua presença era quase imperceptível. Durante esse período, ela não viu ninguém. Até mesmo quando lhe ofereceram um advogado, ela recusou.

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