Dizer que Cora não estava nervosa seria impossível.
A borda do copo estava coberta por água condensada.
A palma da mão dela estava completamente encharcada.
Ela não sabia dizer se era suor ou a umidade do gelo derretido.
Mas, ao observar os olhos de Bernardo, ela já havia percebido algo sutilmente.
Provavelmente ele havia descoberto.
Só que não tinha provas, por isso tentava arrancar uma resposta dela.
Quando Bernardo finalmente falou, seu tom estava muito mais sério.
— Então, Cora, quem é você de verdade?
A pergunta foi extremamente direta.
Cora soltou uma risada ao ouvir.
— Cora. Achei que o Sr. Pereira já tivesse investigado a minha vida de ponta a ponta.
Bernardo não disse nada.
Eles estavam separados apenas por uma pequena mesa quadrada; pareciam estar muito perto, mas ao mesmo tempo imensamente longe.
Era uma distância psicológica, absurdamente fria.
O ar ao redor deles pareceu estagnar por um instante.
— Se não houver mais nada, eu vou voltar.
Cora encerrou a conversa.
Voltar significava retornar ao apartamento, e não ficar no hotel enredada com ele.
O olhar de Bernardo caiu sobre ela.
— Fique aqui, eu preciso ter certeza de que você não tem problemas.
O tom dele foi dominador e direto.
Cora não discutiu e apenas se levantou com tranquilidade.
Bernardo a observou.
De forma serena e diante dos olhos dele, ela ligou para o motorista da Família Colombo.
O olhar de Bernardo tornou-se ainda mais sombrio.
Só depois de terminar a ligação, ela voltou a encará-lo.
— Não vai ligar para a Noelia? O Sérgio Lira já chegou em Luzia do Mar.
Bernardo falou pausadamente.
Cora continuou a encará-lo.
— Bernardo, se nós dois ficarmos aqui, deixando as duas crianças no apartamento, em Luzia do Mar, a qualquer momento poderemos ser presos.
Não estava claro se aquilo era uma concordância ou não.
Era como se a frase servisse apenas para amenizar o constrangimento de antes.
Bernardo abaixou a cabeça e riu levemente.
— Tudo bem.
Cora não respondeu.
Os dois entraram no elevador, um após o outro.
Não havia mais ninguém lá dentro.
O olhar dele esteve sobre ela durante todo o tempo.
Ele caminhou passo a passo na direção dela.
Até parar bem na sua frente.
Cora foi forçada a recuar, encostando-se na parede.
Ele abaixou o rosto, ergueu a mão e segurou o queixo dela, deixando-os extremamente próximos.
O coração de Cora batia acelerado.
Na verdade, ela sabia que entre os dois restava apenas uma folha de papel muito fina, fácil de ser rasgada.
Apenas nenhum dos dois havia tocado no assunto ainda.
De repente, ela sentiu uma certa aversão por aquela situação.
Ocular sua verdadeira identidade não era algo definitivo para ela.
Ela simplesmente não queria envolver Noelia nisso, apenas isso.
— Cora.
A voz profunda dele ecoou.
Ela não respondeu.
— Você está preparando uma armadilha para a Adelina passo a passo, não está?
Ele estava apenas perguntando.
Mas nas entrelinhas não havia qualquer tom de reprovação, apenas um pedido de confirmação.
— Quer que eu diga tudo aqui, uma coisa de cada vez?
A voz dele soava cada vez mais calma.
Cora continuou sem responder, mantendo um olhar plácido sobre ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....