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Espelhos Quebrados Não se Reconstroem romance Capítulo 71

— Senhorita, o local da fratura precisa ser imobilizado com gesso. Volte em 45 dias para retirar o gesso e, nesse período, evite molhar a área.

Laura Rocha assentiu distraída.

— Doutor, já posso ter alta?

— Sim, de resto está tudo certo, apenas precisa repousar. Nos primeiros dias, pode sentir um pouco de dor. Ao dormir, coloque um travesseiro mais alto sob o ombro, isso vai ajudar a desinchar.

Com o braço imobilizado, segurando os exames, Laura passou pelo quarto onde estavam Luara Ribeiro e os outros, ouvindo os choros vindos de dentro.

— Tiago, que susto eu levei. Fiquei apavorada... Meus pais também morreram num acidente de carro.

Tiago Serra, com voz suave, procurava acalmá-la:

— Já passou, não precisa ter medo. Enquanto eu estiver aqui, nada de mal vai acontecer com você. Prometo ficar ao seu lado.

— Se alguém tiver que morrer, que seja eu antes de você.

O estômago de Laura Rocha se revirou. Apressou o passo pelo corredor e seguiu direto para o elevador.

Aquela repetição de “irmão” e “irmã” só a deixava mais enojada!

Felizmente, não se casaria com ele.

E, melhor ainda, não teria que passar a vida toda sentindo esse nojo!

Quando saiu do hospital, já eram onze horas. Provavelmente, o vovô Serra já estava dormindo.

Laura sentiu o celular vibrar no bolso.

Uma hora antes, Samuel Serra havia mandado mensagem:

[SS: Você já chegou na casa antiga?]

Laura imaginou que, àquela hora, ele já estaria no avião.

—

Tiago Serra, depois de conseguir acalmar a pessoa no leito, se dirigiu ao pronto-socorro para saber sobre Laura Rocha.

— Ah, o senhor fala da paciente de vestido rosa? Ela já foi embora.

Tiago franziu a testa.

— E o ferimento dela... está tudo bem?

— O senhor é parente dela? Ela fraturou o braço, não sabia? Não foi tão grave, colocamos um gesso e ela foi embora.

Fratura?

A situação era bem mais séria do que Tiago imaginava.

Pensou em ligar para perguntar, mas só então lembrou que ela o havia bloqueado.

Sentiu-se ainda mais irritado.

Ela sempre foi assim, orgulhosa! Uma fratura dessas, será que custava pedir ajuda? Ele não deixaria de cuidar dela!

—

Mal entrou no carro, recebeu uma ligação do asilo.

— Srta. Rocha, venha rápido! A vovó Rocha desmaiou!

— O quê? — Laura sentiu o sangue gelar. — Para qual hospital ela foi? Estou indo!

Diante da avó sendo levada para a emergência, Laura ficou paralisada de frio.

— Diretor, o que aconteceu?!

A avó estava bem, fazia exames todos os anos, como poderia desmaiar de repente?

— Srta. Rocha, calma. Também não sabemos o que houve. Ela estava animada de manhã, mas há pouco uma mulher veio visitá-la. Pouco depois de ir embora, sua avó desmaiou!

Laura se ergueu de repente, os olhos brilhando de raiva:

— Que mulher?

O diretor se assustou com a reação dela:

— Eu mesmo não vi. Ouvi dizer, pelas cuidadoras, que o sobrenome dela é Jiang, algo assim.

Naquele instante, os olhos de Laura Rocha se encheram de frieza.

Jiang?

Seria Luara Ribeiro?

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