E, com as últimas forças que ainda lhe restavam, Luiza conseguiu enterrar a pequena agulha de prata sob sua pele.
Quando abriu os olhos, ela se viu deitada na cama de um quarto de hotel. Seu corpo estava fraco e sem forças, mas, além dela, não havia mais ninguém no ambiente.
Sem tempo para pensar em nada, Luiza procurou pelo celular e, instintivamente, discou o número que conhecia tão bem que nem precisava olhar a tela.
Enquanto esperava que a ligação fosse completada, ela reuniu toda a energia que ainda tinha para se levantar. Assim que colocou os pés no chão, a porta do quarto se abriu.
Ronaldo entrou com um sorriso desdenhoso no rosto. Ao vê-la acordada, ele pareceu surpreso.
— Luiza, você realmente não decepciona. Não é à toa que é médica. Com um sedativo tão poderoso, você conseguiu acordar em questão de minutos?
Luiza sabia que o efeito da agulha havia retardado o avanço do entorpecente. Mas, mesmo assim, a dose tinha sido tão alta que ela estava completamente sem forças para tentar escapar.
Ronaldo estava decidido. Ele não daria a Luiza nenhuma chance de fugir.
Ela escondeu as mãos debaixo do cobertor, olhando para ele com cautela e perguntando em um tom severo:
— Ronaldo, o que você pretende fazer?
— O que eu pretendo fazer? — Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu maliciosamente enquanto caminhava em direção a ela. — Não está óbvio?
Os olhos de Luiza ficaram vermelhos de raiva. Ela o encarou e gritou com firmeza:
— Ronaldo, você enlouqueceu?
Ele riu, inclinando-se um pouco mais.
— Se eu soubesse que, mesmo drogada, sua voz ficaria tão sensual quando está brava, eu não teria esperado todos esses anos.
Ronaldo se debruçou para cheirar os cabelos de Luiza, respirando fundo como se quisesse gravar o perfume dela na memória.
— Até seus fios de cabelo têm um cheiro incrível, Luiza. Como pode ser tão irresistível?
Luiza lutou para manter a calma e lançou um último aviso:
— Gustavo e Ethan ainda estão no andar de baixo!
Ronaldo, no entanto, estava completamente alheio ao que ela dizia. Ele deu de ombros, com o sorriso mais cínico possível.
— E daí? O elevador está quebrado desde três minutos atrás. Estamos no vigésimo primeiro andar. Até eles subirem, eu já terei feito o que quero com você.
Não era a primeira vez que Ronaldo fazia algo tão desprezível. Para ele, o prazer estava em ignorar qualquer noção de consentimento ou decência.
Todos sabiam que Ethan tinha outra mulher em mente e que o casamento com Luiza era apenas uma formalidade para manter os laços entre a família Marques e a família Soares. Ethan jamais colocaria essa aliança em risco apenas por causa de Luiza, uma esposa apenas de fachada.
Quanto a Gustavo, Ronaldo tinha medo dele, mas sabia que, mesmo que Gustavo quisesse matá-lo, teria que passar pela avó deles primeiro.
Na cabeça de Ronaldo, o pior que poderia acontecer seria levar uma surra de Gustavo. Mas, para ele, isso não importava. Se pudesse finalmente ter Luiza, valeria a pena.
A obsessão dele por Luiza era como um vício. Quanto mais ela resistia, mais ele a desejava.

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