Se fosse em outros tempos, Gustavo teria fechado a cara na mesma hora. Dessa vez, ele só deu uma tossidinha sem perceber.
Luiza achou que ele estava só fazendo graça com ela. Ela não segurou o sorriso e comentou, em tom de brincadeira:
— Cauã, você de repente assim… Gente boa, eu até estranhei.
Entre os amigos de Gustavo, Cauã sempre tinha sido o que menos ia com a cara dela. Depois de tantos anos de convivência, eles nem tinham o WhatsApp um do outro.
No começo, quando ela tinha adicionado o Ethan e o resto da turma no WhatsApp, ela ainda tinha tomado a iniciativa de pedir o contato de Cauã ali na hora. Ele tinha recusado na maior frieza, sem nem disfarçar.
O olhar de Cauã deu uma varrida rápida no grupo e não deixou passar o brilho mal escondido de deboche no fundo dos olhos de Gustavo. Ele lançou um olhar de lado pro amigo e, só então, completou a frase de Luiza, todo azedo:
— Acho que só o Gustavo mesmo pra fazer você chamar alguém de “irmão” tão de boa assim.
A frase tinha vindo carregada de inveja, mas, no fundo, aquela inveja nem era dele por direito.
Ele sabia que tanto ele quanto a família Frota inteira deviam agradecer ao Gustavo por ter protegido a Luiza todos esses anos, na cara e no escondido.
Se não fosse por ele, com o tipo de jogo sujo que a Joana sabia jogar, Luiza provavelmente já teria virado lembrança — e nunca teria chegado onde tinha chegado na medicina.
Ainda assim, por mais que ele soubesse disso, o incômodo continuava ali…
Afinal, ela era irmã dele.
Como é que, antes, até pra trocar duas palavras com a Luiza ele tinha que medir a cara do Gustavo primeiro? Era o cúmulo.
Só de pensar nisso, o mau humor de Cauã voltou a ferver.
Gustavo conhecia Cauã há anos e já sabia ler o sujeito sem esforço. Quando ele se preparava pra dizer alguma coisa, Miguel e Raul saíram do elevador, um logo atrás do outro.
Miguel vinha moído de viagem, andando apressado, com a urgência estampada no rosto.
Quando Luiza viu o professor, os olhos dela arderam:
— Miguel…
Miguel não perdeu tempo com muitas palavras. Ele só deu dois tapinhas no ombro dela:
— Vem. Vamos ver a Noemi.
— Tá bom. — Luiza concordou e avisou Gustavo. — Então… Eu vou voltar pro quarto.
— Vai lá.
Só quando os três já tinham se afastado bem pelo corredor é que Gustavo voltou o olhar pro amigo de guerra, aquele que ia até o fim com ele.
Cauã também estava encarando Gustavo. O olhar magoado dele quase pingava:
— Você já sabia faz tempo, não já?
A pergunta veio solta, sem contexto, mas Gustavo entendeu na hora do que ele estava falando:
— Eu tinha sacado, sim.
— E você não pensou em me contar?
O peito de Cauã pareceu pegar fogo. Ainda bem que a poucos passos dali ficava a área de fumantes. Ele atravessou o espaço em passadas largas, tirou um cigarro e já ia acender.
A chama azul mal tinha chegado perto da ponta quando uma mão grande, de dedos longos, surgiu e quebrou o cigarro no meio. Sobrou só um toquinho preso entre os dentes de Cauã.
Ele arregalou os olhos:
— Qual é a sua?
— Fumaça parada gruda em tudo. — Gustavo respondeu sério. — A Luiza nunca gostou de cheiro de cigarro. E agora, além de tudo, ela tá grávida.
Cauã, que um segundo antes parecia um rojão prestes a estourar, murchou igual fogos molhados. Ele não só jogou o toco fora como tacou o isqueiro junto no lixo.
— Entendi.
Ele já se prometeu, ali mesmo, que da próxima vez que fosse ver a irmã, ele ia tomar banho, trocar de roupa, fazer tudo direito.
Um segundo depois, a ficha caiu de vez. Ele levantou os olhos pra Gustavo, quase rindo de felicidade:
— Como é que eu fui esquecer? Eu vou ser tio!
O bebê na barriga de Luiza seria o primeiro sobrinho dele.
Gustavo soltou um riso curto pelo nariz:
— Engraçado. Antes você não falava assim.
— E você quer que eu fale com você como?
— Sei lá… Às vezes faz uns pastéis pra mim, cozinha alguma coisa…
Gustavo deixou escapar um sorriso:
— O dia em que a Luiza chamar você de irmão por vontade própria, eu não só cozinho como deixo você montar em cima da minha cabeça.
Na mesma hora, a valentia de Cauã murchou. Ele cerrou a boca, irritado:
— A culpa é de quem, você acha? Antes, bastava eu abrir a boca pra falar com ela que você já vinha com aquela cara fechada.
…
Dentro do quarto, Miguel examinava Noemi com todo cuidado.
Quando ele levantou o rosto, o olhar dele passou por Luiza e Raul, que estavam ali parados, tensos, quase sem respirar. Ele mirou Raul e deu uma bronca sem rodeios:
— Vai ficar plantado aí até quando? Pega uma cadeira pra Luiza sentar.
— Tá bom. — Raul respondeu na hora.
Luiza só queria saber rápido o que Miguel tinha a dizer:
— Miguel, eu tô bem…
— Você tem certeza mesmo?
Miguel tirou a mão do pulso de Noemi e o semblante dele fechou:
— Quem é médico não cuida só do corpo dos outros. Cuida do próprio corpo também.
Ele continuou, firme:
— Se você quer tanto que a Noemi acorde, começa cuidando de você. Senão, quando ela abrir os olhos, ela ainda vai acabar preocupada com a sua cara. Entendeu?
— Entendi. — A voz de Luiza veio embargada. Ela obedeceu, sentando direitinho, e só então perguntou. — E a Noemi, como é que ela tá?
Ela queria muito acreditar que a limitação era dela, que Miguel talvez tivesse um caminho que ela não tinha conseguido enxergar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso
a história está se perdendo, a autora deveria se atentar! ja esta ridículo, péssimo de ler...
ja esta a mais de 200 capítulos com todo mundo, menos a Luiza, sem saber quem é a família biológica. Muita enrolação...
Perdendo o estímulo pra acompanhar, Tá muito cansativa a estória, excluiu vários e está envolvendo outros personagens para sustentar. Mas está sem graça. Melhor finalizar....
Esse livro é uma desgraça, desistindo. Quem escreveu precisa se aposentar....
Mas que chatice! Toda vez essa enrolação, fala que vai oficializar o divórcio tem 50 capítulos já! Saco!...
Nos capítulos 300 e pouco parece que a história perde a consistência. Lilian parece ter esquecido algumas coisas sobre Luiza e Gustavo. Ale disso muitas coisas acontecem de forma forçadamente conveniente e até pouco criativas. Tá difícil continuar....
A história tem um plot super interessante, porém a experiência é estragada com 50 capítulos que são pura enrolação, 50 capítulos que não precisavam existir porque já descrevem tramas que apareceram e foram resolvidas, a formatação da capítulos é sofrível com diálogo sendo divididos em capítulos minúsculos e estragando o ritmo narrativo e o aparente abandono dos personagens principais no final da história. Poderia ser uma excelente, mas a execução e o layout estragaram tudo...
A história era da Luiza, do Ethan e do Gustavo, agora, parece, que a autora se perdeu.... Eles nem aparecem na história. O que está escrevendo seria material para um outro livro. Se eu dissesse que é meu ridículo, estaria errada.... é totalmente ridículo!...
Capítulo 787 e do nada agora precisa pagar para ler, esqueceram a Luiza que pasmem ainda está grávida, não sabe sobre a família verdadeira, não fala de casamento com o Gustavo e a Nina não divorciou. O enredo da história é ótimo a intenção foi ótima, a execução foi péssima, a história enrola mto, um vai e volta no passado que chega a dar ânsia, mtos capítulos eu passei direto pq aquele vai e volta aquela explicação dava dor de cabeça, fora que a forma como falam dos personagens até quando falam das roupas, da fisionomia deixam mto a desejar. Agora q história tá focada na Nina, gente que livro ruim...
comecei a ler pq amei como a luiza era esperta e bem resolvida. agora ela tá completamente infantil. o problema dessa história é as pessoas não abrirem a boca pra falar, acham que os outros tem bola de cristal ou são videntes. coisa chata...